quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Razão demais

Das propriedades que nos distinguem das outras espécies do planeta de certeza a inteligência é a principal; nossa arguta forma de usar as capacidades cognitivas que a natureza nos deu fez-nos conquistar a supremacia do planeta, subjugando todas as outras formas de vida, a ponto de afetarmos a própria subsistência desta no planeta, mas pagamos um preço por isso, padecemos de problemas e angústias que não são partilhadas pelos outros animais, que vivem de forma mais instintiva e, para completar, ainda temos que equilibrar essas funções com nosso proeminente lado emocional, o que não é uma tarefa das mais fáceis.

RAZÃODos problemas que conheço nessa área um dos mais comuns é o abuso da razão e a superestimação da inteligência como sendo a solução para se ter uma vida feliz. Grande engano, primeiro porque ela, a inteligência, não é onipotente, e muitas vezes nos decepciona; segundo porque tem limites e muitas vezes se torna impotente perante a força de nossas emoções, e por último, mas não no final, ela não é, sozinha, capaz de nos dar tudo aquilo que nossos anseios desejam, por mais que tentemos.

Se quisermos que ela nos dê essas coisas caímos em uma situação de abuso de suas propriedades e vamos nos tornar cada vez mais ardilosos e manipuladores, usando de todos os meios, e até das outras pessoas, para atingirmos nossos resultados, que convencionamos chamar de felicidade. Sob essa justificativa nos tornamos maquiavélicos e criamos um padrão de usar de todos os meios para torcer os fatos e as circunstâncias a nosso favor.

Por puro excesso de uso e sobrevalorização hipertrofiamos nossa razão, deixando muitas vezes de lado o peso que exerce nosso coração em nossa vida e vamos nos habituando lentamente a formas de pensar que tem por padrão o tirar proveito do mundo e buscar apenas aquilo que nos dê lucro, seja este na forma de reconhecimento alheio, dinheiro, status social e tudo o mais que estimular nossa concupiscência. Ao fim nossa mente estará completamente bitolada a funcionar de forma automatizada em busca daqueles resultados.

Ainda sob a égide de “sermos felizes” embotamos nossos sentidos e anestesiamos nossa consciência não nos apercebendo do quanto estamos perdendo enquanto os anos passam céleres, quando percebemos o quanto de perdas tivemos correndo atrás de miragens, pode ser tarde demais. Mas isso pode mudar, em função de que, por algum motivo, formos obrigados a parar e passar a pensar de forma diferente. Muitas vezes frente a uma grande perda ou sofrimento temos que reavaliar nossa forma de ser e nossas atitudes, tomando um novo rumo a partir dali. Se com isso nos tornarmos coerentes com as necessidades de  nosso espírito e adequarmos nossa vida a esse propósito, valorizando e exercitando mais nossas emoções, parando de querer controlar tudo e a todos, de certeza conseguiremos ter uma vida mais completa, que tem por obrigação de ter no nosso lado emocional a mais bela de suas capacidades.

 

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS