terça-feira, 17 set 2019
Administração

Ser ganancioso

Muitas vezes vejo pela vida um tipo de pessoa que em especial me chama a atenção pelo seu modo de ser, normalmente sujeito a muitas recriminações de quem se julga melhor, desta vez notei os gananciosos. Muitas vezes confundidos com os ambiciosos, determinados, obstinados ou simplesmente trabalhadores, não sabem eles mesmos os que os movem.

Todos temos na vida um motivo para irmos e frente, seja mais ou menos nobre, sempre há algo que nos impulsiona no íntimo nos levando a ter forças para sobreviver e tentar sermos felizes, mas nem sempre o conseguimos, o que leva uma multidão a se sentir frustrados e impotentes perante a vida. Destes a ganância é um dos mais fortes e mais enganadores. Ganância é sinônimo de ambição desmedida, o querer por querer acima de quaisquer limite e bom senso. Movidos pela ilusão do ter e do reconhecimento alheio, muitas pessoas abrem mão de sua felicidade neste mundo, que apesar de difícil é possível. Os hindus cunharam um termo filosófico para designar isto: Maya, que significa justamente aquilo que ilude e engana; justamente o que acontece com os gananciosos.


Sem noção do que é necessário para se sentir completo, realizado e feliz, busca a satisfação nas ilusões do mundo e na vida mundana. Torna-se por isso excessivamente materialista, manipulador e racional; tudo para atingir seus ganânciaobjetivos, nada humildes ou acanhados. O pior é que isso pode parecer bonito aos outros,que os verão como pessoas batalhadoras e determinadas, que apenas querem crescer na vida.

A medida da satisfação destas pessoas praticamente não existe, quanto mais tem mais querem, e se tudo o que querem conquistam criam novas necessidades para si, sempre associadas às conquistas do mundo, esquecem que a maior ambição talvez seja a de ser feliz. Por esse motivo são capazes de matar e morrer, de se prostituir, roubar e enganar quem quer que seja; preocupados apenas com seu próprio bem estar são na sua totalidade egoístas e egocêntricos, pouco ligando  para os sentimentos dos outros, até porque seus sentimentos e emoções se atrofiaram. Como tudo em nosso ser o que é usado em excesso se fortalece enquanto aquilo que não é exercitado se atrofia.

O ganancioso só vai perceber o tanto de mal que fez a si e aos outros quando,às vezes já é tarde demais. Lembro-me de um paciente que me chegou, já aos setenta e poucos anos, se queixando porque tinha tudo o que perseguiu na vida, mas não tinha o principal, a felicidade, esta parecia estar em algum lugar inacessível’. O que descobrimos depois é que ele a havia procurado no lugar errado, apenas movido pela ambição do ter, enquanto ela estava guardada no ser. Só que para ele a vida já estava em seu outono.

O pior é que muitas vezes a pessoa vai imergindo cada vez mais em seus sonhos de ambição, sem se aperceber do que vai perdendo pela vida; se dando desculpas convenientes como procurar o melhor para sua família e progresso na vida, mergulha cada vez mais na ilusão da matéria, perdendo no caminho seu coração, que é o que lhe dá a vida e poderia lhe fazer feliz, de verdade. Afastando-se das necessidades do espírito, que fica cada vez mais carente, dá início a um processo que vai repercutir na mente  e nas emoções, suas frustações dando origem à inúmeras patologias, como a melancolia, a depressão os transtornos de personalidade. Se não tomarmos cuidado esse pode ser o cominho do fim, um fim solitário e infeliz, talvez cercado  de benesses do mundo físico e completamente vazio de sentimentos e satisfação verdadeira, pois fizemos uso errado das coisas do mundo, que estão aqui para servir-nos de escola e meio de crescimento, e não para alimentarmos ilusões de desfrute sensorial e nos encher de falso orgulho.

Abramos os olhos antes que seja tarde, façamos as escolhas corretas, vivamos no mundo para nosso crescimento interno e não para as aparências externas; não confundamos felicidade com posse e abramos mão de ter prazer apenas com o que impressiona nossos sentidos, sem que nos toque a alma. Sejamos felizes de verdade e não apenas para parecer que somos aos outros.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS