sábado, 21 set 2019
Administração

Programação espiritual

Tive uma sessão ontem extremamente interessante com uma paciente em sua segunda regressão, A.F, que tem problemas sérios de relacionamento, não conseguindo namorar nem ter nenhum tipo de romance, tende sempre a achar que vai terminar a vida só e, por mais que isso não corresponda à realidade, sente-se o tempo todo solitária e, por isso mesmo, triste. Já teve algumas regressões espontâneas com lembranças muito vívidas, que não lhe trouxeram nenhum tipo de problema. Se diz espírita e frequenta sessões mediúnicas em centros Kardecistas que acredita serem benéficas, lhe ajudando a manter o equilíbrio.

Ao fazer sua ficha clínica, logo no início da terapia, coletei relatos de sintomas que vou citar, pois serão parte importante dessa história mais tarde, entre eles estavam: dor e cólicas menstruais que se acompanham de uma fraqueza muito grande como se  tivesse com uma hemorragia, e às vezes, mesmo sem estar menstruada, chega a sentir tonturas com sensação de desmaio como se estivesse tendo uma hemorragia também; tem muitos pensamentos negativos e sensação de culpa como se não merecesse ser feliz e tivesse feito muitas coisas erradas no passado despertando ódios; sente cheiros estranhos, como sangue e álcool, que ninguém mais sente. Além de tudo isso se sente melancólica e tem vários episódios na vida em que sente que tudo perde o sentido e nada lhe dá prazer nem satisfação, coisa bem comum nesses casos. Também me relatou que nunca se sentiu completa em seu papel de mulher, a feminilidade e seus atributos não lhe deixam à vontade.

Bem, vamos ao que interessa, o caso em si e seus desdobramentos. Na sessão de hoje ela teve inúmeros insights, relacionados à história que se apresentou. Logo que iniciou a regressão me disse que estava tendo sensações estranhas, como se conseguisse ver em várias dimensões, e parecia que estava numa região do mundo espiritual, fora deste plano, muito suja de sangue. Pedi-lhe para voltar, em suas lembranças, ao tempo em que estava viva ainda, antes de ir para esse lugar.

Imediatamente ela se viu ensanguentada no chão, “Sofri um aborto” disse. “Eu era uma mulher jovem, casada, mas meu marido ficou fora da cidade um tempo” Pedi-lhe que olhasse em volta naquele ambiente e ela assim o descreveu: “O corpo do bebê está no chão, morto…ele já estava grande” – Sua voz parecia um lamento –  “Estava numa casa rica, de madeiras nobres, tenho 32 anos. Senti um misto de arrependimento, raiva e dor, fiquei grávida porque trai meu marido, quando ele descobriu me obrigou a tomar um chá para abortar, porque me amava e não queria me deixar. Me sentia traidora, traidora…”. Nesse momento tivemos a explicação para o cheiro de sangue que sentia constantemente, as sensações de desmaio e a culpa que lhe atormenta atualmente sem causa aparente e lhe impede de ser feliz.

Ela estava lembrando de ter uma hemorragia, pois via sangue para todo lado no quarto onde estava. Não resistiu afinal, disse que estava morrendo quando o marido chegou, a cena final que ela me descreveu foi muito comovente, ele lhe segurou nos braços e a sacudia, mas não adiantou, morreu se sentindo extremamente culpada pensando: “Meu marido não merecia isso de mim, ele era um homem bom” e gravou: “Eu não mereço um homem que confie em mim” – Falou rememorando um outro padrão atual que dificulta seus relacionamentos, pois como diz, vive se sabotando. Depois da morte aconteceram os fatos mais interessantes da história, ela me disse que logo que morreu seu espírito foi arrastado para uma região de sofrimento por uma mulher que lhe odiava, ao perguntar o porque ela me disse que havia tirado um companheiro seu algumas vidas atrás e por isso tinha tando ódio por ela, entendemos dessa maneira de onde vem a intuição que ela tem de ter feito coisas erradas no passado e colecionado ódios.

No lugar aonde foi levada outros espíritos acoplaram a ela “programas de infelicidade”, segundo suas próprias palavras, em seu perispírito num processo que parecia usar de hipnose, esses “programas” ficavam disparando pensamentos de abandono e solidão, e de como era errado ser mulher, além de ideias de auto-destruição uma após a outra.programação espiritual Depois que acessamos essas memórias antigas ela percebeu claramente que, logo depois que morreu, seus pensamentos e decisões eram doentes por conta do processo obsessivo severo que já estava passando, e que lhe levaram por fim ao suicídio.

Vendo tudo isso entendi, e ela também, que muitas de suas sensações e até padrões de comportamento atuais, eram frutos daquela época e essa programação que lhe foi infligida que vinha daqueles “programas” que lhe afetavam os pensamentos. Desde a melancolia, que tinha a ver com seus remorsos espirituais, até sua tendência e se sentir só e infeliz, bem como se sentir pouco feminina, sem os atributos da mulher como gênero.

Quando lembrou disso tudo percebeu que esses “programas” tem sido responsáveis por vários padrões disfuncionais de seu comportamento e só de lembra-los começou a desfazer aquela programação, percebendo que muitos desses padrões e crenças, a maioria na realidade, eram ilusórios e lhe impediam de ser completa e feliz. Esclareci-lhe que, diferente do que ela pensava, não era o abandono ou coisas que tivesse passado nessa vida o grande acionador dos seus problemas emocionais e psicológicos, mas sim a sua culpa, grande e frequentemente estimulada por aquela programação espiritual, que lhe fazia ficar paralisada numa situação de dor e sofrimento. Somente com ela tomando consciência disto e deixando essas culpas de lado, irá conseguir superar as dificuldades e se reprogramar para uma nova vida.

Os insights foram se seguindo ao ponto que não conseguiu mais relaciona-los, decidindo ir para casa e terminar de pensar neles lá. Sentiu também que aquela mulher que lhe prendeu ainda está por perto desejando vingança, mas agora que aprendeu a se reprogramar vai de certeza melhorar.

 

Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS