quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

Desacreditando no acreditável

Uma das coisas que mais admiro na Revista brasileira Veja é a linguagem de sua reportagem, muitas vezes sarcástica e de certa forma irônica, mas sempre bem humorada, principalmente em assuntos que vão contra as suas próprias bases filosófico-religiosas. Neste post vou tratar de uma reportagem que não foi realizada nesses termos, porque justamente trata de assuntos que coincidem com a opinião de seus editores, aí a linguagem se torna mais séria. Contrariando isso escrevi este post, e aí vamos nós, um pequeno Davi, contra esse Golias da mídia.

Na edição número 34, de 22 de Agosto de 2012, existe um artigo chamado “Porque se acredita no inacreditável” de um psicólogo americano, Michael Shermer, criador de uma ONG, uma revista e uma TV voltados a, como diz a reportagem, “promover o pensamento científico” e “desmascarar charlatões”, esse cidadão está vindo ao Brasil para uma série de palestras.michael shermer

Como já conheço a linha de raciocínio da revista quando se trata desses casos, sabia que iam relacionar isso à religião e a fé, e não deu outra coisa, já na primeira linha do artigo se diz que o entrevistado se dedica a 30 anos a “combater superstições”, mas logo adiante mostra quem realmente ele combate, os crentes, assim, no geral, segundo suas próprias palavras “Os crentes (…) se contentam com suposições sobrenaturais”, e ataca claramente quem crê em algo que não seja “acreditável” ou a fé do quem crê, como qualquer crente, relacionando isso à uma grande ignorância e temor de enfrentar a realidade do mundo.

Continuando seu ataque às religiões vem logo a seguir: “Mas poucos abdicam de crenças sobrenaturais e aceitam a ciência como ferramenta para explicar o universo”, colocando-se como defensor da Ciência, esquecendo de que todas as teorias são crenças, inclusive as científicas, sendo ele mesmo um crente na sua própria fé, relacionando fé com crença e religião, confunde propositalmente, a cabeça das pessoas. Inclusive dizendo que os crentes preferem explicações irreais, mas convincentes em suas narrativas fictícias, apenas para seu conforto psíquico; só que isso é exatamente o que ele faz à sua maneira, em seus artigos e livros, todos aparentemente muito convincentes. "

Ora, na raiz etimológica da palavra “acreditar” está o crer, o  confiar, vindos do Latim CREDITUM, de CREDERE, e “crente” vem do termo latino “credens” que significa “que crê”. Um crente é o indivíduo que crê em algo, No contexto religioso, crente é todo aquele que crê em Deus e manifesta a sua crença religiosa. Michael Shermer também é um crente. à sua maneira, o problema é  que qualquer fanático ele quer convencer a todos que apenas a sua crença é a verdadeira, usando argumentos aparentemente científicos para isso.

No artigo ele diz que o ser humano tem uma tendência a se iludir com “fantasias” e isto estaria impresso em nossos próprios processos mentais, o que nos levaria a imaginar padrões na natureza à nossa volta, somente a “ciência” seria capaz de combater esses devaneios, mas aí começam os devaneios do próprio do psicólogo, com aspiração à cientista. Digo aspiração, pois fica muito claro que ele parece não entender, ou, como acho mais provável, não o quer, que esses padrões são justamente os fatores que levam os homens a buscar respostas na natureza sobre a nossa realidade, são a própria fonte inspiradora da ciência, que procura a causa desses fenômenos. Se isso é ilusão ou fruto de nossa imaginação, toda a ciência também o é.

Inclusive não entendo como ele se considere defendendo algo científico, o pressuposto para isso seria o dele construir uma teoria a partir de uma hipótese e com experimentos tentar, desse ponto em diante, comprovar sua veracidade. Na própria entrevista ele diz: “ Qualquer experimento nasce com uma premissa baseada no que se acredita ser verdade”, traduzindo: qualquer experimento vem inicialmente de uma crença, e a única coisa que o vejo fazer é tentar desconstruir as crenças alheias tentando impor seu ponto de vista sem nenhum tipo de embasamento teórico ou mesmo hipotético, como por exemplo: “e se Deus não existir, como posso explicar isto?”.

Para ele basta passar esse encargo aos outros, como diz em sua fala: “O ônus da prova cabe aos crentes”, numa risível inversão de papéis, pois quem está tentando provar algo é ele, não os crentes, estes estão bastante confortáveis em suas convicções. Usando de descobertas e fatos científicos tenta atacar aquilo que não quer aceitar, por exemplo, quando diz mais à frente que o “pensamento mágico” e a crença no sobrenatural produziriam uma “sensação de prazer na bioquímica cerebral”, e saber que “somos cuidados por seres místicos nos faria felizes”. Bem, só se for com ele que isso acontece; pois a história e o relato de misteres das igrejas, médiuns, pastores, padres, pais e mães de santo, em todas as épocas contradizem isso.

Sei disso porque trato com frequência pessoas com problemas relacionados à uma espiritualidade desequilibrada ou médiuns que não tem inclusive fé em nada ou creem em coisas diversas do que seria o espiritismo e religiões afins, e todos sofrem, muito, em função desses “pensamentos mágicos”. Na sua busca inclemente em destruir a fé alheia diz: “Existem 10000 religiões, espanta-me a arrogância de quem supõe que uma só crença seja correta em meio a tantas”. Meu Deus!!! ele não vê que é exatamente isso que está a fazer!! É sua forma de ver o mundo contra as 10000 religiões, ou sua crença contra as outras 10000, e ele pensando que apenas a  sua é a verdadeira!!

Como disse Jesus Cristo: “ Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão”. Assim é esse “cientista”, manipulador e prepotente, crê que tem todas as respostas, quando não sabe nem fazer as perguntas certas.

Colocando-se como corajoso omite sua descrença em Deus e na fé em qualquer coisa espiritual, sob a desculpa de que quer apenas desmistificar as superstições e evitar que os charlatões se aproveitem da boa fé do povo. Mas basta digitar seu nome no Google para se verificar que o que ele defende mesmo é o ateísmo, principalmente em seus livros, e nisso não vejo problema nenhum, a não ser a sua covardia em declarar sua real intensão.

Para finalizar continuo a transcrever o artigo e as palavras de Shermer : “Se há um Deus, ele me deu um cérebro para pensar. Meu pecado seria usa-lo para raciocinar e buscar explicações? um ser benevolente não me puniria por utilizar bem as armas que ele me concedeu”; pura verdade, mas isso não é usar bem sua inteligência e nem o isenta de suas responsabilidades , nem a revista Veja, na pessoa de seus editores, para com a coletividade, pois ambos apoiam o ceticismo e a descrença entre os homens, o que terá que ser reparado em algum momento, ou alguma vida. É só esperar.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS