quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

Pulsões X Paixões

O conceito psicanalítico de pulsões é bastante conhecido; quando Freud começou a usa-lo ele o associou aos instintos, principalmente o sexual, sendo a libido uma manifestação da "tensão sexual somática" humana.

Em alemão o termo trieb, usado normalmente em português como pulsão, tem o sentido de "força impelente" ou "força que coloca em movimento" e é associado a outros significados como: desejo, carência, necessidade; em todos esses podemos notar a semelhança de propriedades ao que comumente chamamos de paixões, estas propriedades perfeitamente conhecidas por quem já as sentiu, aparecem com frequência nos escritos dos poetas e dos religiosos, com conotações românticas e fantasiosas, mas nem por isso menos realistas. Mas o que tem a ver uma coisa com a outra? que influência e inter-relações essas duas entidades podem ter entre si e como podem nos afetar.

Ambas as coisas nos remetem a uma força praticamente indomável, instintiva, que almeja satisfação imediata e que ao mesmo tempo nos fornecem uma energia psíquica e emocional ímpar que nos torna capaz de feitos que em outro estado não seríamos capazes, e aí vem outra semelhança aos conceitos de pulsão, que é o significado em alemão de necessidade que, como nas paixões, só podem ser estancadas pelaPAIXO_~1 satisfação dos estímulos que as provocaram.

Um aforismo antigo diz que essa energia potente, mal controlada, pode ser como um cavalo desgovernado que leve o cavaleiro para o primeiro abismo no caminho, querendo dizer que, assim como as paixões bem direcionadas  podem ser extremamente produtivas também podem nos botar a perder tudo o que mais prezamos; então face a essas semelhanças achei que o tema merecia uma melhor exploração.

Não é nesse despretensioso post que iremos achar nenhuma resposta definitiva a essas dúvidas milenares, mas podemos iniciar aqui uma exploração que poderá nos ensinar lições que aprendemos com o uso da terapia de vidas passadas e que podem ser enriquecedoras a quem se propor a entender melhor o que está na base desses dois conceitos tão estudados e ao mesmo tempo tão desconhecidos.

Segundo Freud descobriu do nosso inconsciente brotam emoções e desejos que não conseguimos entender nem explicar, alguns nós recalcamos, outros nos influenciam vida afora para além de nossa mais completa ignorância. Mas, mesmo os especialistas e todas as teorias que existem hoje na área psicológica são insuficientes para satisfazer nossas anseios pelo entendimento de sentimentos tão poderosos como o amor e as paixões e, por mais que nossa razão se esforce, não consegue sufocar ou satisfazer essas duas potências da nossa psiquê e da nossa alma.

Nessa linha tênue entre corpo e alma situam-se as nossas pulsões e paixões; indistintas, potencialmente destrutivas, ardorosamente emancipadoras, impulsionadoras de nossas ambições e desejos, moralmente aceitáveis ou não, resumindo, possuidoras de uma força descomunal,muitas vezes irresistível, que nos move e faz confundir razão e instintos, que com muita dificuldade administramos e fazemos funcionar socialmente. O problema é que, às vezes é difícil encontrar o equilíbrio necessário para atingirmos a satisfação plena e a paz necessária para nos sentirmos felizes.

Por isso Freud colocou as pulsões como limítrofes entre o corpo e a psiquê. Das necessidades do corpo contra as necessidades do espírito, daquilo que em nós é mais animal e do que mais nos aproxima dos anjos, onde estará a resposta? será que nossa evolução atual permitirá que atinjamos um estado onde estejamos em paz com nossas aspirações e desejos? Talvez tenham sido essas questões que desconcertaram e inquietaram o homem desde que ele passou a questionar a própria existência que motivaram os grandes estudiosos da mente a entender como as paixões nos acometem e nos impelem; as diferenças deles com os antigos românticos e poetas, além da linguagem logicamente, são as colocações técnicas e científicas que buscam entender os intrincados caminhos da emoção e da mente para tentar aliviar o sofrimento causado à alma por paixões das mais complexas e irresolvíveis.

A satisfação dessas pulsões/paixões pode inclusive nos dar a ilusão de felicidade, e fazer com que mobilizemos nossas forças mais íntimas para chegar a esse objetivo; como no homem a linha que separa razão e instinto muitas vezes é tênue e indistinta é natural que muitos caiam nessa cilada e se percam nos caminhos da satisfação de suas necessidades mais animalizadas, como se isso fosse suficiente para nos preencher de tudo o que realmente nos faz falta, como por exemplo, o afeto verdadeiro, o carinho fraterno, o amor que consola, a amizade desinteressada e etc. Vamos em busca somente do sexo desenfreado, do poder, da glutonaria, da luxúria e da vaidade; até nos apercebermos que isso não nos preenche de absolutamente nada, pois nossas necessidades verdadeiras são nobres por natureza por que fomos  aquinhoados com uma parte da criação que é a mais bela que é ter uma alma, uma psiquê.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS