segunda-feira, 21 jan 2019
Administração

Um caso de melancolia

Luto2Quando me surgiu o primeiro caso de melancolia, em uma paciente que vou chamar de S.R, fiquei inicialmente confuso, parecia-me estar diante de mais um caso de depressão, mas alguma coisa não se encaixava, os sintomas não eram os clássicos sintomas depressivos e desapareciam por períodos relativamente longos, além disso vinham acompanhados de sintomas físicos inexplicáveis como diarreias e náuseas. Curioso comecei a investigar o que nas palavras da própria paciente seria um quadro de “melancolia”, para descobrir a melhor forma de entender o problema, e nos estudos que fiz sobre melancolia uma coisa se fez logo confusa, afinal melancolia e depressão seriam a mesma entidade clínica? São necessários alguns esclarecimentos para que iniciemos o entendimento do caso.

A depressão nunca ocupou lugar entre os quadros clínicos clássicos da psicanálise nos seus primórdios, Freud se dedicou mais a explorar a melancolia e seus aspectos psicopatológicos, hoje, ao contrário, não se estuda mais a melancolia como uma entidade independente, a tendência dos manuais de psiquiatria foi de que o processo melancólico se “dissolvesse” dentro dos aspectos patológicos da depressão, classificando-a como “Depressão melancólica”. É interessante observarmos que nos clássicos casos de melancolia relatados por Freud, os sintomas observados como a perda de ânimo e gosto pela vida, sentimento de enfraquecimento e tristeza acompanhados de sintomas digestivos como má digestão, flatulência e constipação, na realidade já haviam sido relatados a mais de 15 séculos desde a antiguidade. Hipócrates do Cós, considerado o pai da medicina, a descrevia como um estado de tristeza e medo de longa duração. 

Em grego o termo melancholia serve para designar uma doença que coloca em choque a afetividade e o raciocínio, e na prática foi isso que observei nos períodos de crise de minha paciente: ao mesmo tempo em que manifestavam-se nela os sintomas afetivos de desânimo, falta de sentido na vida e tristeza apareciam também problemas ligados ao raciocínio e que frustravam sua razão. O tempo todo ela se perguntava o porque das pessoas conseguirem ser felizes e conseguirem viver bem suas vidas apesar do mundo e da  própria vida apresentarem tantas dificuldades e, mesmo tentando não fazer nenhuma comparação à sua própria situação, isto parecia lhe causar incômodo e não se encaixava em seus preconceitos sobre o que poderia possibilitar às pessoas serem ou não felizes, em suma, parecia-lhe ser impossível alguém ser feliz em nosso mundo de tantas dificuldades; estava lhe ocorrendo nesses episódios o que alguns filósofos chamavam de taedium vitae, o desgosto pela vida.

Uma constante neste tipo de sofrimento psíquico é não conseguir nem expressar com palavras os seus padecimentos; disto inclusive me ocorreram outras observações sobre as queixas de minha paciente e que também são observadas desde a antiguidade que se referem as dificuldades dos pacientes em descreveram ou relatarem com exatidão o que sentem ou que tipo de sofrimento estão experimentando. Estes passam das sensações e sintomas físicos às emocionais afetando a cognição e levando, no caso específico de S.R, a faze-la sentir um grande vazio interior, relatado por ela como se algo lhe faltasse espiritualmente.

Ao abordar estes aspectos dito espirituais, (e quando digo isso não me refiro a nenhuma religião) da melancolia, estimulado até pelo discurso de minha paciente, fiz uma reflexão sobre o que já havia pesquisado sobre o problema, tanto na filosofia quanto nas áreas psicológicas e achei interessante o intenso exercício de raciocínio e “malabarismo cognitivo” que  estas ciências tem que fazer para tentar explicar os fatores causais da melancolia não levando em conta a existência de um aspecto espiritual no homem, e como isso vai afetar a busca pela cura e os tratamentos devidos.

Para a terapia de vidas passadas (TVP), ou Terapia da Regressão, como se queira chamar, que é a abordagem que uso com a paciente em tratamento, leva-se em conta para o tratamento os aspectos dito “espirituais” entre os fatores mais importantes dentre as possibilidades de origem dos episódios melancólicos e a partir daí investiga-se, via regressões, o que pode ter acontecido no seu passado e que esteja desencadeando ou facilitando o processo no presente, e foi assim que procedi no caso que se apresenta aqui.

O tratamento de minha paciente já durou alguns anos ( o que é incomum em TVP) e, após muitas superações e melhoras em vários níveis, definimos como objetivo do tratamento a abordagem da melancolia, quadro do qual ela se queixava desde o final de 2007, mas que até então não havia se apresentado como o problema principal. Após mais ou menos 06 meses notei que a frequência dos episódios melancólicos tinha diminuído. Se  inicialmente eles ocorriam aproximadamente a cada 02 meses eles passaram a ocorrer em intervalos de  04 meses e esses intervalos aumentavam conforme ela se aprofundava no processo. Uma das coisas deu um resultado terapêutico excelente foi a descoberta do que vale a pena na vida para ela, o que daria sentido à sua existência; pois são essas colocações que normalmente surgem a nível de pensamento da paciente. Ela teve um insight pelo final do tratamento, numa sessão de apoio, que o que fazia sentido na sua vida era “viver um dia após o outro” e “fazer o bem, dividir bons momentos com sua família, se doando. Para completar revelou que achava que o motivo de sentir melancólica tinha origem na falta de motivos para o espírito viver aqui.

Continuamos o tratamento e após mais duas regressões, aonde a personagem da paciente teve vidas extremamente tristes e infelizes, ela chegou a algumas conclusões importantes que a auxuliaram a combater os episódios de melancolia. A primeira tem relação com aquilo que ela percebe que sempre lhe falta algo espiritualmente e isso se revelou em relação com  sua disponibilidade em ajudar o próximo, em entender as pessoas que lhe cercam e se magoar menos com suas atitudes, faltas e desregramentos, em suma, entender que eles são seres humanos com falhas e defeitos, sujeitos a errarem e até lhe magoarem, intencionalmente ou não. A segunda coisa que ela percebeu foi que sua tristeza, associada a sensação de falta de razão e sentido na vida, estava muito ligada a experiências traumáticas que ela havia tido em vidas passadas. A impressão de que a felicidade não tinha sentido neste mundo seguia pela mesma via; quando ela reviveu aquelas vidas aonde realmente passou por eventos que lhe trouxeram uma tristeza e infelicidade intensas, coisas que nem a morte resolveu, passou a encarar suas dificuldades aqui com menos importância e a ter mais recursos psíquicos para enfrenta-las.

Para exemplificar conto uma regressão realizada com ele em Abril de 2010 em que a personagem relembrada pela paciente foi uma mulher que sequestrou um bebê recém nascido para cria-la como filha, isso lhe levou a uma vida conflituosa e cheia de tristeza e remorsos que a impediram de ser feliz plenamente, apesar da alegria de poder ter uma filha que não poderia mais ter naturalmente. Pouco antes de morrer, lá naquela vida, contou a filha sua verdadeira história, bem como à sua família e após a morte se sentiu muito aliviada por não precisar viver mais se torturando com suas culpas, mas aquela tristeza que à acompanhava não a abandonou impedindo-a, mesmo depois de passar a outro plano, de ser feliz e apesar de tudo não achava que deveria se arrepender de nada pois tinha o direito de ser feliz, numa posição equivocada que lhe tirava as próprias condições  para tal. Após a regressão, ainda durante a sessão, lhe perguntei o que ela identificava naquela história que pudesse ter a ver com a sua melancolia; ela imediatamente relacionou aquelas emoções e insights  à profunda tristeza que sentia durante suas crises.

Explorando mais a história pudemos perceber que as decisões, culpas e remorsos que o espírito trazia daquela vida ainda permaneciam intactos  lhe influenciando a vida até aqueles momentos, e isso era, de certeza, um dos desencadeadores de suas crises de melancolia; a partir daí direcionamos o seu tratamento para a busca de autocompreensão , auto-perdão e a compreensão de que seu estado psicológico atual depende muito de como vai administrar aquelas dores tão antigas. Até Junho/2010  ela não teve mais nenhuma crise de melancolia, continuaremos o tratamento nessa linha de abordagem e estamos a comprovar mais uma vez as origens espirituais do problema da melancolia.

 

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7 Comentários

  1. Preciso de ajuda urgente.Qual e onde fazer tratamento

    1. Se vc mora em Manaus é só ligar para o consultório no 3584 0078 e agendar. Caso contrário procure so site da SBTVP um terapeuta mais próximo e vc. Abs.

  2. Bom dia!!!!!!

    Gostaria muito que vce me deixa-se seu email
    ou endereço da sua clinica.
    So agora lendo o seu blog é que me deu esperança de que
    alguem possa realmente me ajudar, pois não busquei nada ate agora
    por não acreditar que medicamentos iriam me tirar desta melacolia
    pois da forma que desencadeou a coisa eu já sabia que eram de vidas
    passadas Meu telefone fixo é 4114 8448
    Abraços Neide

    1. Meu e-mail é ney@vidaspassadas.net e meu consultório fica em Manaus, tem os dados no menu “contatos” ok.

  3. Obrigada Ney vou procurar ajuda sim, tenho fè q encontrarei um bom lugar.E prometo q te conto como as coisas vao indo isso se vc qzr e claro!!Nem acredito q vc me respondeu ontem eu estava em crise e resolvi ler algo ate q te encontrei.E n esqça do q te disse vc è especial um abraçao com grande alegria q vc me fez sentir grata Pathy

  4. Boa noite Patricia,
    Aquela paciente após uma longa terapia finalmente viu-se praticamente livre de suas crises de melancolia e está vindo comigo apenas eventualmente pois ainda não se sente segura para ter alta.
    Realmente os antidepresivos não tem ajudado muito nos casos clássicos de melancolia pois esta se difere da depressão propriamente dita por algumas peculiaridades que já discuti, mas existe algo que você pode fazer, e que não tem custo, que é um tratamento espiritual, este está disponível em alguns centros espíritas e outros não ligados ao espiritismo, cuidado apenas para que este tratamento não seja algo que faça apologia a alguma religião ou queira mudar suas crenças. Normalmente tem um bom resultado, pois no fundo a causa do problema está em culpas que trazemos armazenadas no nosso espírito. Existe saida do problema sim, mas você tem de procura-la, tenha fé. Abraços, Ney.

  5. Ney estou exatamente como sua paciente,porem minha melancolia e sempre a tardinha sinto uma tristeza imensa um vazio inesplicavel,desanimo,tristeza,e dificil expressar o q sinto mas nao desejo isso a ninguem sinto isso tbm quando me deparo cm moveis antigos roupas etc.Ja pensei em fazr tvp mas como deve ter um custo muito alto nao sera possivel eu fazer.Tomo medicamento pr depressao mas nao esta resolvendo muito.Mas quem sabe um dia eu consiga sair dessa ou nao!!! Qro t parabenizar por estar ajudando a essa pessoa pois vc nao imagina o quanto ela sofre e vc e um anjo q apareceu na vida dela q tudo de certo e q vc seja muito feliz q vc receba muita luz pr ajudar a muitas outras pessoas fique sabendo q vc e muito especial um grande abraço Pathy

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS