domingo, 25 ago 2019
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Ciência e espiritualidade

Falar de qualquer coisa de fundo espiritual sem cair no lugar comum das religiões ou do misticismo aparentemente é difícil, afinal o que se toma por espiritual dificilmente será palpável, percebível pelos nossos sentidos ou comprovável cientificamente, em terapia de vidas passadas esse tema está mais relacionado à saúde dentro de um conceito do ser humano como algo integral do que associado à qualquer crença ou religião.

Muitas das dificuldades que temos em lidar com esse assunto se deve mais aos nossos próprios preconceitos, ainda anacrônicos e desatualizados, do que realmente uma divergência irreconciliável, e foram esses mesmos preconceitos que séculos atrás divorciaram ciência, filosofia e religião; necessário se faz hoje que nós nos dispamos deles para podermos penetrar no que seria uma nova forma de encarar a realidade, não apenas do ponto de vista filosófico ou religioso, mas de uma postura que hoje já encontra respaldo em comprovações científicas a respeito do que seria a nossa existência e do universo em que habitamos.

Dios-religiao-e-ciencia11Quando falamos aqui em espírito e a realidade de um plano espiritual, estaremos falando de conceitos que hoje já começam a ter comprovação pela ciência e, embora ainda não tenhamos aparelhamento suficiente para nos mostrar essa realidade como gostaríamos de vê-la, com nossos olhos e sentidos, já nos é possível vislumbra-la por métodos matemáticos, principalmente pela física.

A realidade, como a interpretamos hoje, ainda é aquela demonstrada por Newton no século XVII, quando os filósofos, estudiosos e cientistas, ainda sem uma homogeneidade de entendimento do que viria nos dias de hoje fundamentar a ciência atual; faziam suas pesquisas, experiências e teses baseadas no reducionismo, tentando entender a realidade, o mundo e todos os seus elementos a partir de algumas de suas partes.

Apesar da ciência ter evoluído muito, em todas as áreas, ainda temos hoje uma visão simplista das coisas, imperando ainda uma lógica ultrapassada em pelo menos dois séculos, aonde o universo seria constituído apenas daquilo que podemos ver ou perceber pelos nossos sentidos. Agimos como se o velho reducionismo ainda fosse o suficiente para dar a ciência o respaldo necessário às suas investigações e pensamos que entendendo todas as partes que interagem para constituir nosso mundo vamos entender a mecânica da criação; só que estes sentidos, como já se sabe muito bem hoje, são sensíveis apenas a uma pequeníssima parcela do que é emanado pelo cosmos.

Na física clássica para que algo tenha existência é necessário que possamos perceber alguns de seus efeitos, seja pelos nossos sentidos ou por meio de algum instrumento e, se existe tal efeito, ele deve ter sido provocado por um agente real, assim tudo no Universo que impressiona os nossos sentidos ou é detectável por algum aparelho necessariamente existe.

Mas essas colocações trazem alguns problemas. Nossa visão percebe apenas limitadas faixas de onda, deixando de fora inúmeras outras formas de freqüência, o mesmo acontece com a audição, olfato e etc.. Mesmo os equipamentos mais sensíveis ainda não o são o bastante para perceber toda a gama de ondas e vibrações que nos cercam e nem por isso deixam de fazer parte de nossa realidade. E quanto mais nos aprofundamos na matéria mais as coisas se complicam. Até mesmo os nossos processos mentais, nossa forma de interpretar e o raciocínio lógico a que estamos acostumados a usar se mostram insuficientes para decodificar a realidade num plano atômico, aonde as leis parecem subverter a lógica. Como podemos verificar pelas modernas teorias da física.

Por esses preceitos científicos a respeito da realidade e da existência, percebe-se que a nossa realidade deve ser constituída por muito mais elementos do que a ciência reconhece atualmente.

Historicamente o que temos hoje como nossa realidade foi formado por conceitos e sendo ao longo dos anos, à medida que fomos descobrindo mais a respeito do mundo, mais essa realidade passou a fazer parte de nosso dia a dia.

Quando descobrimos, por exemplo, que a terra era redonda e girava em torno do Sol e não o contrário; que não éramos o centro do Universo, mas uma pequena parte dele, automaticamente ampliaram-se os nossos horizontes ampliando-se nossa noção do que é real; esses conceitos foram sendo incorporadas pelo que chamamos de ciência ortodoxa, e assim coisas que eram absurdas pouco tempo atrás de repente passaram a fazer parte de nossa realidade, e hoje são praticamente aceitas sem que ninguém nem pense em contradizê-las.

Por isso o que imaginamos é que bastam que se criem aparelhos com uma tecnologia mais avançada para que, elementos e situações hoje desconhecidos, passem a fazer parte da nossa realidade.

Um dos meios de que dispõe o ser humano atualmente para investigar a realidade chama-se Mecânica Quântica, um ramo da física que explora a realidade a nível atômico, e nesse nível a realidade assume características muito interessantes.

Nesse nível, por exemplo, tudo parece ser constituído de uma única substância, a “substância quântica” e as coisas que percebemos em nosso cotidiano são manifestações dessa substância. Além disso, essa “teoria quântica” sustenta que a situação de uma partícula observada qualquer possui uma realidade muito diferente daquelas de partículas não observadas. A interação entre o observador e o objeto observado altera substancialmente os elementos quânticos, que segundo a física atual constituem tudo o que existe no universo, assim a observação é mais que uma simples interação, ela transforma profundamente a realidade.

É dessa maneira que a ciência atual concebe a existência de todos os elementos microscópicos que constituem o nosso universo, nada parece existir por si, tudo depende da interação do observador com uma série de possibilidades. Além disso, temos “filtros” individuais que parecem decompor os estímulos externos, e as formas, cores e tons com que vemos depende destes filtros; assim o que chamamos de “realidade” é aquilo que percebemos por meio desses filtros, que no final vão formar o que seria o nosso universo.

Dessa maneira percebemos que, se formos nos basear apenas pelos nossos sentidos, pelo que nossos aparelhos de verificação atual detectam ou mesmo pela lógica do nosso raciocínio, teremos uma visão muitíssimo limitada de nossa realidade e ficam claras as limitações da ciência atual, basta tentarmos explicar cientificamente, por exemplo, os sentimentos ou mesmo o instinto.

Com todo o conhecimento que temos hoje, principalmente de física, não e possível conhecer precisamente todos os aspectos do comportamento de nem mesmo um único elemento microscópico que constitui o nosso universo, e o que e pior, a cada observação estamos alterando, em muito, a coisa observada.

A realidade, a nível atômico, é um todo inseparável, aonde tudo está ,o tempo todo, trocando partículas, se influenciando mutuamente, inclusive por observações e pensamentos; enfim coexistindo de forma altamente integrada.

Assim, no mínimo, temos de admitir nossa pequenez intelectual, ainda muito carregada de preconceitos seculares, e imaginar, mesmo de forma incompleta, uma realidade que poderíamos chamar de espiritual, supranormal ou de qualquer outro nome que desejemos lhe dar, mas que está aí permeando tudo o que existe; e na realidade são esses preconceitos que, aliados ao medo natural pelo novo, nos impedem de abrir os nossos caminhos em direção ao entendimento dessa realidade, a qual intuímos naturalmente que existe.

Não temos condições hoje de demonstrarmos e principalmente entendermos como essa realidade funciona, mas é indiscutível que ela existe e, acredito, é aí que fica nossa existência mais real. A ilusão de materialidade que nós temos hoje entra em choque com as provas físicas e matemáticas do que seria o “real”; e talvez por isso os conceitos mais adiantados a respeito do papel do ser humano no cosmos seja, muito mais bem interpretado pelos homens das ciências dito exatas, principalmente os físicos, e não por aqueles das “humanidades”, como a medicina a psicologia e mesmo a filosofia, e são eles que estão se tornado os verdadeiros filósofos dos tempos atuais.

Assim sendo, quem pode hoje dizer que o mundo espiritual é apenas um exercício de imaginação? Ou, como querem alguns, apenas uma necessidade do homem criada por ele não querer aceitar sua própria mortalidade? Ou ainda o fruto da influência de uma ou outra religião em cima de pessoas crédulas e ignorantes e, finalmente, o conceito que embala a história da psicopatologia, de que essa história de espiritualidade ou paranormalidade foram criadas por “alucinados”, “anormais” ou “supersticiosos”, coisas perfeitamente refutáveis historicamente .

A história antiga e contemporânea está cheia de exemplos de pessoas, que não se encaixando em nenhum desses estereótipos, foram luminares da espiritualidade permitindo ao homem chegar aonde ele chegou hoje; Sidarta Gautama, o Buda, influenciou toda a religião, governos e cultura orientais preconizando conceitos que enfatizavam a busca pela paz e o equilíbrio interior, Jesus Cristo dividiu a história ocidental em dois períodos para antes e depois dele; quantos ícones do materialismo ou do ceticismo foram capazes das mesmas realizações ou trouxeram tantos benefícios sociais para a coletividade humana?

Assim temos que para a maioria dos cientistas contemporâneos o mundo espiritual é fruto de ilusões, superstições ou ainda alucinações e delírios; mesmo que essas coisas tenham sido defendias por pessoas admiradas e respeitadas em todas as épocas, normalmente guias ou mentores de seus povos. Não é preciso ser um cientista nenhum grande conhecedor de física, filosofia ou mesmo de psicopatologia, basta usarmos de nosso bom senso, para percebermos todo o legado que aquelas pessoas nos deixaram, muito mais do que delírios de pessoas mentalmente perturbadas, eram lições extremamente benéficas tanto a nível pessoal como coletivo, tanto é verdade que muitos conceitos restritos apenas ao terreno da religião, hoje começam a ser comprovados cientificamente, mostrando cada vez mais coincidências entre o que pregavam as antigas religiões e filosofias e o que conhecemos por REALIDADE.

A ignorância maior, na realidade, parte das pessoas que se negam a aceitar que temos um nível de existência, que podemos chamar de espiritual, diferente da realidade percebida apenas pelos nossos cinco sentidos. Noto que isso acontece muitas vezes em pessoas que conheço e pacientes que me chegam e que não querem nenhum contato com o "sobrenatural", morrem de medo e preferem nem discutir o assunto, agem assim possivelmente movidas pelo preconceito, medo e às vezes até por terem uma mediunidade ou paranormalidade despertando e pressentem "presenças" espirituais nem sempre amigáveis, se abrigam na própria ignorância achando que isso as protegerá de interações ou influências espirituais negativas, afinal é comum nós ouvirmos que tais influências só acontecem com quem acredita nelas, ledo engano.

O melhor de tudo isso é que hoje, diferente de alguns séculos atrás aonde tínhamos apenas a intuição dos estudiosos a nos guiar, estamos chegando a um nível de entendimento mais profundo daqueles temas pelo estudo e interpretação de fatos científicos comprovados por testes realizados sob situações controladas, nas mãos de cientistas sérios; ainda teremos, de certeza, por algumas décadas, o embate entre as ciências que se pautam na objetividade/razão contra o que a nossa subjetividade/intuição nos quer falar da verdadeira realidade, resta-nos aguardar apenas que a ampulheta do tempo corra.

A mim mais parece que a resistência ao que chamamos hoje de realidade espiritual, além de logicamente advir de não se aceitar de imediato o “novo”, tem muito de medo e insegurança por parte daqueles que deveriam estuda-la, medo de serem rotulados de “supersticiosos”, “delirantes”, ou apenas “atrasados e crédulos”, e insegurança de, por advogarem em favor dessa nova forma de encarar a existência, serem rejeitados pelos seus pares deixando de ter aquilo de que nós tanto precisamos, o reconhecimento.

Assim podemos chegar à conclusão que, se a realidade “espiritual” ainda é uma coisa que não pode ser comprovada pela ciência contemporânea, também não podemos afirmar categoricamente que ela está no rol das impossibilidades, e como bem dizia Shakespeare: “Existem mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia.”

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS