terça-feira, 17 set 2019
Administração

Simplicidade

Li um outro dia uma frase atribuída a Leonardo Da Vinci: “A simplicidade é o último grau da sofisticação”, pesquisando na Net descobri que outros gênios da humanidade também chegaram à mesma conclusão, mas sempre observando que ela só acontece após muito aprendizado e conquistas íntimas. A partir daí comecei a refletir sobre o assunto, e relaciona-lo às nossas deficiências de caráter, findei notando que o meio social em que vivemos é um dos maiores obstáculos à conquista de uma vida mais simples, isso associado a características naturais de nossa personalidade, como o orgulho e a soberba, vai terminar por nos afastar de uma forma de viver e se relacionar mais saudável com menos cobranças e desafios. Qual o problema nisso? Vou explicar.

Em algumas dezenas de vidas relembradas nas regressões que efetuo em meu consultório, trabalhando com a Terapia de Vidas Passadas, descobri que a caminhada rumo à felicidade na terra passa necessariamente por ter uma vida simples, não confundir com pobreza ou de carências extremas, essas não deixam espaço nem para se pensar em ser feliz. A simplicidade a que me refiro está associada à atitudes, gostos, comportamento e modo de ser, como mostra por exemplo outra frase atribuída a Gilbert Chesterton, escritor britânico: "Há mais simplicidade no homem que come caviar por impulso, do que naquele que come nozes por princípio." É na simplicidade do viver que se esconde um dos maiores segredos da vida em sociedade, o encontro da paz e da realização junto àqueles com quem se coexiste, na passagem de uma vida sem pesos ou cobranças descabidas.

Essas lições, volto a ressaltar, não são fruto de meus valores pessoais ou de minhas crenças, elas me foram transmitidas por pacientes em estado de consciência alterado quando puderam alcançar uma sabedoria que veio do seu espírito, normalmente após a lembrança de algumas vidas passadas em meio a muito sofrimento ou de várias perdas. O ser humano, principalmente no Ocidente moderno com seu apelo ao consumo, tem normalmente o impulso de criar necessidades onde elas não existem naturalmente, assim vamos desejando cada vez mais ou queremos apenas o melhor, seja das coisas ou das pessoas. Isso passa, quase sempre, por uma necessidade de aprovação alheia, é como se o tempo todo dependêssemos do olhar do outro sobre nosso desempenho para nos dar ciência de que somos felizes.

Assim a felicidade ou realização perante nós mesmos e a vida só vai ter sentido se o meio social nos disser que isso é real, não importando nosso estado íntimo, o que importa é o que pensam de nós. Já encontrei pessoas profundamente infelizes que faziam questão de transmitir ao máximo aos outros a falsa impressão de felicidade ou um êxtase perante sua situação e a vida, de forma completamente artificial. Isso finda gerando uma população de hipócritas e atores que interpretam na vida um papel que passa longe de seu verdadeiro estado de espírito, este pode estar em frangalhos, mas elas se forçam o tempo todo a tentar mostrar como são belas ou realizadas, ou ainda que tem uma posição profissional e social invejável. Triste busca.

Simplicidade e humildade são irmãs, uma não pode existir sem a outra, ser simples é entender que não precisamos de muita coisa na vida para sermos completos, e na humildade, que nos coloca em pé de igualdade com tudo o que existe, temos o caminho interior que nos guia por uma vida sem ansiedades ou desejos desnecessários.

Creio, e aqui vou expressar algumas crenças pessoais, que o sersimplicidade mais simples que existe é Deus, e ao mesmo tempo a expressão máxima de sofisticação; basta olharmos em volta para perceber que em muitas expressões da vida na natureza temos muitos mostras disto, como por exemplo no farfalhar das asas de um beija-flor ao voar entre flores, ou no renascimento da borboleta depois de ter se arrastado pela terra como verme, no olhar de um animal selvagem que reflete toda a beleza do mundo natural, ou numa formiga trabalhando arduamente pela sobrevivência.

Em todas essas coisas podemos perceber lições divinas, é como se Deus quisesse nos mostrar a beleza da vida na mais absoluta singeleza, e nos desse mostras de como podemos nos realizar em comum com o mundo e a natureza de forma completa e feliz; lições de simplicidade à disposição de quem quiser parar para ver, nem que seja por alguns segundos, coisas que nos tocam a sensibilidade pela beleza oculta na simplicidade de suas existências. Sejamos simples, porque Deus o é.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS