domingo, 15 dez 2019
Administração

Quando a mágoa toma o lugar do amor

Vendo uma discursão esta semana pude comprovar como o guardar mágoas pode ser prejudicial à qualidade dos relacionamentos humanos. Tomando lentamente lugar no coração e mente das pessoas, normalmente sensíveis, vai expulsando devagarinho o sentimento de amor que poderia-se ter entre elas. Isso ocorre em todos os tipos de relacionamento, desde entre os casais, familiares, de trabalho e sociais; naturalmente irão ser mais afetados aqueles que envolverem mais afeto e proximidade, como os familiares, mas isso também vai existir em todos os outros onde existam pessoas, afinal todos somos diferentes e isso vai levar em muitos momentos à diferenças de opiniões e atritos.magoa

O único remédio para tal mal é a compreensão e a tolerância, pena que nem todos saibam ou queiram usa-los, pelo contrário, há aqueles que gostam de cultiva-los. O resultado não pode ser mais negativo: o isolamento, a raiva recíproca, as agressões mais ou menos explicitas ou a dor calada; e qualquer um desses vai acontecer no final, pois aquelas pessoas dadas a esse tipo de personalidade irão, mais cedo ou mais tarde sucumbir aos seus efeitos.

Todos temos que ter um olhar muito crítico sobre o orgulho, este enquanto traço de caráter, talvez seja o maior criador das mágoas, e vai deixar nossa sensibilidade sempre à flor da pele, aguçada pela sensação de injustiça e ingratidão. Ambas, normalmente, findam sendo acompanhadas de incompreensão e a intolerância de uns com os outros, afinal essas pessoas passam a vida se esforçando para mostrar um papel positivo e que lhes dê o reconhecimento pelos seus pares, exatamente o contrário do que acontece nas suas vidas.

Quando somos assim, orgulhosos e sensíveis, as pessoas além de parecerem não nos reconhecer o valor, ainda tem uma atitude, que repito, parecem ser de desaprovação ou crítica. O problema é que esse tipo de caráter, o orgulhoso, se atém normalmente a “jogar para a plateia”, buscando ser aquilo que as pessoas esperam delas, e isso não é por altruísmo, é mais uma necessidade pessoal de reconhecimento e segurança. Aí começam os problemas, alheios à nossa forma de ser e ao nosso caráter orgulhoso as pessoas em nosso entorno não vão entender a exigência descabida de atenção e reconhecimento, então começamos a nos magoar com elas, pois nunca afinal nos dão o carinho e atenção que merecemos, seja porque somos os filhos mais esforçados, as esposas, ou esposos mais dedicados, ao ainda os pais que deram suas vidas para que os filhos tivessem tudo o que precisavam. Dessa situação é que se vem, de forma tão comum, a sensação de ingratidão e falta de respeito que tantos sentem, mas não percebem o motivo real.

Não quero criticar aqui as boas atitudes e intenções, essas são louváveis, desde que feitas de forma desinteressada; a partir do momento em que se buscam faze-las apenas na intenção de ter algum tipo de gratidão ou reconhecimento, é apenas egoísmo, pois não se está fazendo isso verdadeiramente por ninguém, a não ser por si mesmo.

O que mais causa tristeza nessas situações é que esse tipo de gente põe a perder quem realmente lhes ama, por guardar tantas mágoas que  no final estas findam não deixando mais espaço para o amor, e respeito e o afeto. Sobram apenas as próprias mágoas, se retroalimentando e se tornando um fardo extremamente pesado na vida de quem as cultiva. E quando o coração está cheio, ele começa a transbordar e a extravasar para o mundo exterior seu fel, transformando qualquer relação numa troca de mágoas e agressões recíprocas, tornam-se sarcasmo e ironia, alfinetes que estão permanentemente a ferir os outros.

Se a compreensão não se tornar tolerância, e o amor não substituir as mágoas, dando lugar ao respeito mútuo, o perdão pelas ofensas será impossível, e só sobrará a dor surda de uma solidão incompreensível.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS