sábado, 20 dez 2014
Administração

Histórias de amor que não se fecham

Ao tomar as primeiras queixas de uma nova paciente ontem, J., “pesquei” entre seus problemas uma paixão mal-resolvida do passado e isso, apesar de não ser nenhuma psicopatologia específica, pode causar, como no caso dela, uma sensação de incompletude permanente que vai ser muito desagradável e pode durar décadas ou até uma vida.

amor incompletoA partir deste ponto passei a refletir sobre o assunto, tão comum e tão pouco discutido, à luz da crença na reencarnação e no que vejo nas regressões de meus pacientes no consultório que muitas vezes tiveram a ver com o assunto.

Normalmente aquela incompletude é causada por uma sensação de frustração e perda permanente, algo que nos faz sentir impotentes e às vezes até incapazes sob vários aspectos. Podemos nos sentir incapazes de sermos felizes, de desenvolver bons relacionamentos amorosos, de ter o controle de nossa vida e felicidade, nos sentindo diminuídos e inferiores às outras pessoas que conseguem ter relações românticas saudáveis, e por aí vai, só para citar alguns exemplos. Se você já se sentiu, ou se sente assim, não pense que está só, talvez a maior parcela da humanidade também está no mesmo barco. A diferença é que neste barco alguns remam ainda atrás de algo, com forças para resistir, outros já se abandonaram à impotência à depressão, ficando tristes e infelizes permanentemente.

O que argumentei com J. sobre seu caso, vai servir de base para o que vou explicar para vocês: primeiro que se formos pensar que só temos uma existência  e uma oportunidade para sermos felizes a vida vai ficar muito complicada, principalmente se a atrelarmos à alguém ou alguma paixão, pois a probabilidade dela dar errado é muito grande, e isso acontece por vários motivos, quase todos banais. No caso de J. parece que o rapaz por quem se apaixonou não desenvolveu por ela o mesmo sentimento e a evitou se evadindo como podia. Esse é o caso mais comum, agora imagine quantas outras coisas podem dar errado para uma relação não acontecer …

Lembro que a pouco  tempo reencontrei aquela que foi minha primeira paixão, quando eu tinha 15 anos, daquelas paixões adolescentes que nos fazem sonhar e suspirar com a pessoa amada por qualquer motivo e até sem motivo. Minha memória voltou 30 anos no tempo e recordei na época desse namoro, cujo fim me deixou mal, porque ela não sentia por mim o mesmo que eu sentia por ela e simplesmente me largou quando não me quis mais, isso foi o fim do mundo pra mim, perdi o chão e o sentido  da vida, muito tempo depois ainda sentia como se minha vida  estivesse incompleta a existia a sensação de ter uma pendência em meu coração que não me deixava ser feliz. Só com o tempo aprendi que tinha que me resignar porque certas coisas na vida não tem jeito e temos simplesmente que aceita-las, pois está acima de nossas forças e nossa condição mudar o rumo dos acontecimentos ou mandar no coração dos outros. Outra coisa é que temos que entender que existem histórias que realmente não eram para ser escritas, romances que não deviam nem ter acontecido e amores que não eram para ter sido despertados, isso ocorre mais por puro desejo ou egoísmo de nossa parte do que por nutrirmos bons sentimentos por alguém, e ao final isso invariavelmente só leva a dor e sofrimento.

Com relação a nossas vidas passadas tenho observado que certos amores, de tão intensos e marcantes, deixam resquícios de uma vida a outra, e, se tivermos oportunidade de reencontrar algum amante de outrora de certeza isso nos trará uma forte atração por aquela(e) a quem um dia já dedicamos nossos sentimentos. Isso nem sempre é saudável pois na vida atual pode não ser objetivo de nosso espírito, nem faz parte do que tem que aprender aqui, um novo relacionamento com o amor de outrora. Outras vezes foram amores que não se completaram lá, no passado, ou que terminaram de forma infeliz, coisas das quais até hoje o espírito se ressente, desejando que o relacionamento se tornasse efetivo e real, ou terminasse bem, no fundo apenas para desfruta-lo de forma egoísta. Só que nessa estrada muitas vezes nos confundimos e achamos que o amor romântico é o único que existe ou que pode nos fazer felizes, e isso é um atalho para a desgraça, pois vamos deixar nosso felicidade nas mãos de outrem, ou ao sabor das circunstâncias da vida, que nem sempre nos são favoráveis. Não esqueçamos que existe a morte, a traição, o desencanto, ou simplesmente o desamor e desinteresse que muitas vezes surgem com o tempo. O amor por alguém, mesmo sendo de forma egoísta e unilateral, é, muitas vezes a única forma de amor que o espírito tem condições de desenvolver e pode dar início a um longo aprendizado o qual chegará ao final com o amor mais elevado de todos que é o divino, incondicional e por toda a criação de Deus, especialmente a vida em todas as suas manifestações.

Se não aprendermos a nos resignar e ter paciência de esperar pelo momento certo para termos relacionamentos sadios e felizes, com pessoas que mereçam nosso afeto e possam dividir o seu conosco, vamos findar nos deixando levar pela revolta e sensação de injustiça perante a vida e Deus, aí sim as coisas ficarão mais difíceis ainda, afinal quem somos nós para entender como  funcionam as engrenagem do universo e o que as vidas tem a  nos ensinar?

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1 Comentário

  1. Ola! Fico procurando um meio criativo e educado de falar o quanto gostei dessa Tag, um comentário que chegue a altura de sua inteligência mais como não tenho… Me resta apenas dizer que amei, e continuarei lendo seus demais poster, pois como nenhum outro, aprendi muito com sua forma de ver o mundo e pensar sobre ele. Obrigado.

 

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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