quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

A sensação de dever cumprido

Escrevi este post para expressar uma constatação: Ao fim de muitas regressões, quando perguntei aos meus pacientes sobre o que, o agora espírito desencarnado, ou livre, pensava e sentia sobre sua existência. Ouvi da boca desses pacientes que sua felicidade estava atrelada a certeza ou sensação de terem cumprido com seus deveres enquanto vivos. Isso é algo que eles falam naturalmente, sem nenhum tipo de indução de minha parte e que parece ter muita importância ao espírito. Esses deveres não são aqueles mundanos, ditados pelas regras sociais, pela nossa família de outras pessoas ou valores  quaisquer, eles são aquelas ações que realmente tem o poder de nos fazer realizar o que é certo e melhor para nossa própria felicidade, como se a cumprir uma meta ou um plano pré-determinado pelo própria consciência espiritual do indivíduo. Interessante que este tipo de insight espiritual independente do tipo de personalidade que apresente o regredido.

Tentando entender isto cheguei às seguintes conclusões: Quando estamos encarnados, somos seres espirituais vivendo uma experiência física, corpórea, e isso tem um objetivo, mais claro para uns, menos claro para outros; que quando harmonizados com nossas atitudes e ações na vida perante o mundo e as pessoas deixam-nos com a consciência tranquila e vivemos em paz em nosso meio. Esse ou esses objetivos não são ditas ou exigidas externamente por ninguém, por mais que isso contrarie praticamente todos os conceitos religiosos atuais. Na realidade nosso grande guia e  juiz somos nós mesmos, perante uma consciência que pode estar se sentindo culpada ou em falta com seus semelhantes ou com Deus. Assim, quando cumprimos nosso papel à cada vida, o papel que normalmente nós mesmos escolhemos ou nos foi impingido pela providência divina, estamos seguindo um roteiro que vai nos acrescentar sempre algo de positivo aos espírito, por mais que não percebamos. Podem por vezes serem lições dolorosas e sofridas, por outras, uma minoria, vão ser lições de amor e felicidade.

É por isso que cumprir esse tipo de dever faz com que nossa consciência sinta-se muito tranquila na derradeira hora de uma vida. Talvez isso não seja mais frequente nas regressões que presenciei simplesmente por que nós, em nossa grande maioria, não cumprimos mesmo aquilo a que deveríamos ter como premissa. Podemos até tentar enganar e confundir nossa consciência, mas o que devemos ou não realizar neste plano está lá, gravado de forma indelével.carinha feliz

Outro dia me peguei pensando em mim mesmo, na minha vida e nos meus deveres, isso aconteceu ao ser apresentado ao filho de uma paciente que havia se tratado comigo à alguns anos, quando o menino ainda era uma criança, e hoje já é um rapaz. Ouvindo ela me falar de como ele era um bom menino e de como seu relacionamento com ele é excelente me perguntei se a relação entre os dois seria assim se ela não tivesse se tratado de seus problemas psicológicos e espirituais que a afligiam na época, e passado a partir daí a cumprir melhor seus deveres de mãe.

Sem analisar os méritos, sei que tive uma participação decisiva no encaminhamento de sua vida naquele momento, e isso foi meu dever como médico e terapeuta, e, se hoje seu filho é uma criança saudável, possivelmente isso se deve mais a mãe que foi, e ela teve condições de cria-lo assim. Pensando nisso, ao fim daquele dia em que a reencontrei, fechando a porta do consultório para ir para casa, pensei com meus botões: um dia vou virar essa chave uma última vez, e depois não voltarei nunca mais, mas terei cumprido meu dever comigo, com Deus e com minha consciência, e poderei asim partir desta vida em paz.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS