domingo, 25 ago 2019
Administração

Onde está o livre-arbítrio afinal?

Não dá pra ficar indiferente a certas coisas, sempre que pode a revista brasileira Veja arranja um jeito de querer desmontar ou desafiar o bom senso, as crenças e até a intuição que todos nós temos numa espiritualidade maior. Antigamente ela se limitava a atacar as religiões, alvo mais fácil por todas as falhas que tem e são bem conhecidas por todos, mas agora os ataques estão ficando mais elaborados e inteligentes, deixando dúvidas pertinentes e calcando suas teorias em artigos e estudos de apenas uma parte da ciência, obviamente a mais materialista, deixando de lado aqueles que mostram justamente o contrário.

Vou dar o exemplo, na sua última edição, de 15 de Fevereiro de 2012 num artigo intitulado “O culpado secreto” tenta mostrar que consciência e livre-arbítrio além de serem apenas substratos da atividade mental são, segundo o cientista citado no artigo: “atores menores na mecânica do cérebro” e nem ao menos é certo que elas estejam no comando de nossas ações.

livre-arbítrioBem vamos lá, vou esclarecer os pontos com os quais discordo filosófica e cientificamente do artigo, que é quase uma resenha do livro “Incógnito”, de David, vou citando os questionamentos na ordem em que são lidos na revista. Logo nas primeiras linhas o artigo já diz a que veio: “O objetivo central do livro é desbancar ou pelo menos sacudir a noção que o leitor tem de sua própria identidade”. Vamos lá…querer desbancar aquilo que constitui o cerne de nossa individualidade para quê? o que é que sobra de você e de mim se tirarmos nossa identidade? Uma casca, um autômato, um corpo vazio de propósitos e incapaz de funcionar adequadamente no mundo, o que o autor procura ne realidade?

Dentre as várias psicopatologias que existem as piores são aquelas que grassam com a perda de identidade e personalidade, imagine alguém já com essa propensão lendo esse livro e assimilando o que ele propõe, se é que esse é realmente seu propósito, pois não o li, apenas analiso o artigo da revista.

“Ex-aluno de Francis Crick- o pesquisador que, depois de revolucionar a genética ao lado de James Watson, se voltou para o estudo da mente humana” diz outro parágrafo, dando ampla credibilidade ao geneticista citado e consequentemente tentando dar um pouco a matéria também. Essa citação me fez lembrar outro artigo da revista, dessa vez nas suas páginas amarelas, onde o entrevistado era outro expoente da genética. Só que se “esqueceram” naquele artigo, assim como neste, de citar o outro cientista que atuou com ele e usou suas descobertas para corroborar a ideia da existência de Deus. Postei essa matéria sob o nome “Genoma humano, a linguagem de Deus”.

Assim tenho que discordar dessas teses materialistas e reducionistas dos editores de tão boa revista, que cheiram ainda a teorias do século passado onde espiritualidade estava relacionada a superstição e misticismo. Hoje a espiritualidade está sendo pesquisada por cientistas sérios, em praticamente todos os países, que não podem se furtar ao óbvio de sua existência e só para os materialistas mais fanáticos que não querem ver o que está ao alcance de todos. As teoria psicológicas atuais verificaram que nosso livre arbítrio sofre com as necessidades do mundo exterior e também encontra limites no mundo com suas limitações políticas, econômicas e sociais, mas principalmente com nossos fatores subjetivos internos.

Para aqueles que acreditam que somos resultado de um aprimoramento espiritual milenar, comandado por uma inteligência maior chamado Deus, e acho que mesmo para os descrentes, consciência e livre-arbítrio são as dádivas maiores de que dispomos para entender e interagirmos com o cosmos. Querer menosprezar e diminuir isso ou sua importância é um engodo que visa fazermos abdicar do que temos de mais importante, nossa identidade e possibilidade de escolhermos nosso destino.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS