quarta-feira, 24 abr 2019
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Não Veja

Na revista Veja desta semana, a de número 7 de 15 de Fevereiro de 2012, vem escrito um artigo sobre a vida após a morte intitulado “A vida após a vida”, mal elaborado e parco de informações científicas, confunde mais do que esclarece, com informações que estão ali apenas para corroborar a crença a do repórter que a escreveu de que a vida restringe-se apenas à esta que estamos vivendo aquiveja 2012

Entristecedor o que vi escrito num veículo que tanto admiro, pelo cultivo dos valores mais caros à sociedade como a ética, a democracia e a liberdade de pensamento, tudo bem temperado com um humor fino e inteligente. Mas em várias passagens do artigo fica clara a posição preconceituosa e mesmo ignorante dos escritor sobre um assunto que pretendeu explorar, afrontando o conhecimento científico atual faz uma salada entre ciência, religião e espiritualidade, misturando crenças mitológicas e religiosas à pesquisas tendenciosas e puramente materialistas.

Engraçado é que a revista sempre advogou contra o fanatismo e obscurantismo principalmente o político, mas finda pecando pelos mesmos motivos quando o assunto é a fé em Deus ou a espiritualidade. Ninguém os recrimina pelo ateísmo ou falta de fé numa vida após essa, mas querer desvirtuar informações e estudos que existem às centenas comprovando o assunto é também um tipo de mistificação, só que não religiosa ou espiritual. Por conta disto resolvi fazer uma brincadeira, vou chama-la de Não Veja, porque como diz o ditado popular o pior cego é aquele que não que ver e é isso que estou percebendo no artigo, comparando o que é referido na revista com fatos, e não crenças e preconceitos, como seria mais fácil. Vamos lá.

NÃO VEJA: Que a genética e a ciência não conseguem explicar o que seriam os instintos nem aonde eles seriam processados no cérebro, logo querer associar espiritualidade a eles é impossível atualmente.

NÃO VEJA: As chamadas “lei naturais” no artigo foram revistas por um ramo da física que já está até velho, a mecânica quântica, que postula desde a década de 20, do século passado, novas formas de visualizar e entender o que é a realidade. Como disse Fritjof Capra: “[A partir dali] os físicos reconheceram que o mundo não era uma coleção de objetos distintos, (…) mas ao contrário ela mais parece uma teia de  relações entre as diversas partes de um todo unificado. Nossas noções clássicas, provenientes da experiência cotidiana, não são inteiramente adequadas para descrever esse mundo”.

NÃO VEJA: Que ninguém precisa de espiritualidade para ser otimista e procriar, pois estas sim, são necessidades e características básicas, individuais e instintivas do homem, ao contrário do que se tenta provar no artigo.

NÃO VEJA: Que a crença na espiritualidade ou ser otimista não são pré-requisitos essenciais para nossa sobrevivência, caso fosse todos os ateus já teriam perecido, a começar pelo repórteres e editores da revista.

NÃO VEJA: Mostrar que nosso cérebro tem áreas que são ativadas quando temos qualquer pensamento ou atitude religiosa simplesmente mostra que estamos no uso da nossas capacidades cerebrais normais, isso não quer dizer que o sentimento ou espiritualidade nasça aí.

NÃO VEJA: Que ter pensamentos ou fé no que não seja apenas material como é o caso de quase 80% da humanidade, de acordo com o próprio artigo, não quer dizer que somos todos infantilóides mal resolvidos em nosso desenvolvimento.

NÃO VEJA: No universo nada é aleatório ou casual, até que se prove o contrário, a ciência desde a mais remotas eras prova o contrário, para tudo o que existe há uma lei e ordem natural.

NÃO VEJA: Que quando intuitivamente  percebemos essa ordem natural é porque ela existe realmente, e isso é comprovável por qualquer livro de física do ensino médio, e não porque nosso cérebro queira criar ordem onde não existe.

NÃO VEJA: Que as explicações forçadas sobre experiências de quase morte (EQM) relacionado-as a alucinações e transtornos patológicos e uso de tóxicos não é suficiente para explicar todas as experiências que se apresentam nesta situação e, principalmente foram presenciadas por quem não estava morrendo, como ouvir músicas e ver parentes dos mortos.

NÃO VEJA: Que a ideia de vida após a morte não é um legado do cristianismo, mas sim uma crença inata presente em todas as culturas da humanidade,  que acompanha o desenvolvimento do homem desde o período paleolítico 10000 anos atrás.

NÃO VEJA: Ninguém prova que a fé ou conhecimento na vida após a morte existe pelo nosso medo da morte, isso é apenas mais uma crença, já a minha é que a sensação inconsciente e instintiva da perenidade da vida está aí por ser percebida inconscientemente como realidade.

NÃO VEJA: Que eminentes cientistas em todo o mundo, como Fritjof Capra, Amit Goswani, Ian Stenvenson entre outros, pesquisam e comprovam empiricamente a permanência de nossa consciência após a morte a décadas, só nos faltam ainda instrumentos capazes de aferir esta realidade.

Bem, finda a “brincadeira” posso dizer que a única coisa aproveitável no artigo, e mais tímida, bem no final, em sua última linha  diz: “(…) a morte seja, quem sabe, apenas um novo começo disfarçado”.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS