domingo, 25 ago 2019
Administração

Dor e preconceito no Umbral

Existe um lugar fora do espaço/tempo humano aonde a realidade é muito diferente da nossa, aonde as leis da física de nada valem e o tempo não existe. Lá, corpos, calendários, máquinas, paisagens e o tempo em si, deixam de ter sentido e podem assumir aspectos grotescos e disformes. Como pinturas de Dali, a realidade parece mudar e se distorcer ao sabor da vontade dos personagens que por ali transitam, este lugar recebeu ao longo dos milênios vários nomes nas diversas Dalicrenças e religiões que existem em nosso plano: Inferno, Báratro, Hades, Mundo Inferior, Sheol, Di yu, Ne no kuni, Tártaro, etc.

Dessas denominações vou usar um termo espírita, o Umbral, para designar esse lugar ausente do tempo/espaço, aonde o sofrimento parece ser eterno. Para além de qualquer crença tenho a história de vários pacientes, e a de mim mesmo, que passaram pela experiência de lembrar de viver aí alguma de suas vidas, em vidas passadas e, diga-se de passagem, posso garantir, não foram nada agradáveis.

Esse é o relato de uma regressão da paciente N.R, 69 anos, com problemas de relacionamento familiar e um medo absurdo da solidão, que a leva a fazer qualquer sacrifício para manter seus familiares por perto e sob seu controle. Nesta sua segunda regressão notei algumas descrições sobre as pessoas e o local onde estava que me causaram estranheza. Para começar o lugar que ela me descrevia não tinha sol, tampouco estrelas, não era noite nem dia, a luminosidade era difusa e parecia não vir de nenhum lugar específico, logo de início ele me descreveu estar no que parecia ser um navio, só que feito de um material escuro que ela desconhecia, somente alguma de suas partesnavio fantasma pareciam ser de madeira; as pessoas que viajavam nele se vestiam com roupas que pareciam feitas de peles e todos tinham uma aparência muito feia.

Depois de ouvir essa narrativa desconfiei que N.R. não estava se lembrando de uma vida neste planeta e lhe perguntei se estava viva  aqui, na terra; ela, na sua ignorância sobre assuntos de vida após a morte, demorou a entender que tipo de experiência estava vivenciando, até que me respondeu que estava viva sim, mas em outro plano, e lá se sentia muito diferente. Aqui cabe mais um parêntese, nosso corpo espiritual, astral ou perispiritual, tem propriedades físicas muito diferentes da nossa, ele é muito mais “plástico” e leve que o nosso, assim quando vejo alguém dizer, numa regressão, que sente seu corpo muito diferente do normal, suspeito que ele já não está aqui, em nosso plano.

Pela plasticidade que tem, os espíritos podem assumir várias formas, desde mitológicas até simularem personagens históricos, de acordo com sua vontade e evolução, mas a forma que a paciente me descrevia era por demais estranha e piorou quando ela me disse que parecia ser um homem, mas com pensamentos e ideias de mulher, inclusive a parte de cima de seu corpo era como se fosse de uma mulher real, negra, de cabelos enrolados, esse relato para mim foi inédito e me esforcei para entender o que estava acontecendo interrogando-a sobre o que pensava e como se sentia.aí como se diz no popular, o bicho pegou, que coisa era aquela que ela havia sido? Só mais à frente pude entender.

Ao continuarmos N.R. começou a dizer que sentia o corpo diferente, além de escuro e feio, tinha as pernas “muiiiiito longas” com a parte que ia da cintura para baixo como se fosse um homem. Continuando a regressão ela me contou que todos naquele navio eram “do mal”, inclusive ela, e que por ter ideias e pensamentos femininos foi discriminada por seus parceiros que não o aceitavam assim, ele/ela findou sendo abandonado num local ermo, completamente só e lá ficou muito tempo sofrendo de uma solidão atroz. Em determinado momento, e aí me veio a luz sobre quem ou o que era, ela me disse que a parte de seu corpo superior, onde ela via uma mulher desapareceu e ela só via sua metade inferior, de homem.

Terminada a regressão lhe esclareci que as interações que acontecem no astral são muito diferentes das nossas , lá ódios e rancores antigos podem, literalmente, imantar as pessoas dando início a processos obsessivos longos e dolorosos, onde a simbiose entre antigos inimigos ou parceiros vai levar a uma união muito intensa e profunda, algo como se fosse, por exemplo, o que conhecemos como gêmeos xipófagos. Nesse tipo de vida a dois a integração pode ser tal que os espíritos ficam impossibilitados de viverem sozinhos, em total dependência energética e/ou psíquica um do outro.

Possivelmente foi de um tipo de personagem assim que ela se lembrou, alguém que vivia dividindo o corpo e os pensamentos com outra pessoa, um homem e uma mulher ligados tão intimamente que pareciam ter um corpo apenas, uma obsessão antiga e severa entre ambos. Depois dessas interpretações ele se tranquilizou mais, pois até aí não estava entendendo nada, e relacionou o abandono que sofreu naquela vida com o medo que tem de ficar só nesta, e isto a está ajudando muito a superar seus medos.

Achei a lição interessante e inspiradora para darmos uma aprofundada no estudo do períspirito e vida depois da morte, só assim diminuiremos nossa ignorância sobre um assunto tão vasto como complexo.

 

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1 Comentário

  1. olá. gostaria de saber mais sobre isso…acho que tenho um relacionamento obsessivo com alguém. uma pessoa que insiste em ser meu par, mas eu as vezes nao quero fazer par com ela. outro dia estava ouvindo uma musica de amor e ouvi a voz dele dentro de mim. tbm tive a impressão de estar dentro de seu corpo…o amor me parece tão confuso quando se trata dessa pessoa. e tem tbm uma musica que diz assim: when i am lazy is probably because you are moving into my airspace. música de teatro. sei lah. acho que tenho vivido os meus sonhos, mas tbm, parece que eu tenho dormido muito. tive um problema com minha família e sofri agressão de meus familiares, então procurei a policia. as vezes acho que não estou viva. ontem recebi o advogado da defensoria publica e eu briguei com ele. foi tao estranho. além do meu controle. será que ele estava sonhando? sera que era pra ele lembrar meu nome? ele se parece muito com um garoto com quem saí uma única vez, e ele era advogado. ficou falando de paris. as vezes acho que estou morta na minha cama. ouvi um dos meus namorados dizer que tinha me jogado da janela do apartamento. vc se lembra do caso do lindomar alves? naquela época eu sofria tanto. eu estava na universidade,tinha feito uma pausa. as vezes parece que nunca saí da universidade, no primeiro dia estavamos brincando de cidade dorme. um garoto liderava um grande grupo, acho que ele se chamava vitor, só de falar nele, o rosto dele vem a minha face….tenho tido visões dele, quer dizer tive uma, ele estava segurando uma faca. sei lah. as vezes parece que estamos conectados de alguma forma. depois comecei uma outra universidade. e o encontrei indo para uma reunião de umbanda. eu tinha acabo de operar. estava com minha amiga karina e ele nos ofereceu uma carona, mas o carro parou de funcionar e tivemos de empurrar. eu senti muita dor, mas era como se ele fosse uma donzela em perigo. a faca…comprei um violão que se chamava cutaway o modelo. me pertubou um pouco o nome do violão. será que é isso que está acontecendo? eu acho que estou prevendo alguma coisa. ele vai dançar as minhas músicas…. talvez estejamos competindo um com o outro? eu não sei, ou talvez ele esteja me procurando… eu lembro que a minha primeira opção de curso era jornalismo na mackenzie, um garoto ganhou a vaga, por algum motivo eu não quis participar como candidato de pele preta, mesmo eu tendo a pele preta, e ai chegou aquele garoto no primeiro dia de aula, conquistou a todos com seu jogo de cidade dorme que envolvia deus, anjos e assassinos e no outro dia ele tinha ido embora, indo para estudar na mackenzie justamente. não seria coincidencia demais? no terceiro ano de faculdade transferi meu curso para outra cidade e fiz meu tcc com alunos de jornalismo. foi muito bom, mudou a minha vida. ontem tocando violão parecia que eu estava dentro dele. mas já não era ele como vitor e sim como willian, mas a mesma cara. tocamos muito bem. ontem eu tive um dia especial. tive a impressão de ser excluida da sociedade e sozinha eu me senti muito bem, em paz, e o mundo foi meu por um instante, mas depois voltaram a me procurar. comi uma bala que parecia de verdade, nossa, é como se eu estivesse vivendo em um mundo falso ultimamente. estou muito muito muito cansada. nem sei direito qual é a minha pergunta. mas tenho a impressão de que nos encontramos ele e eu de tempos em tempos, mas talvez ele me ame mais do que eu amo ele, pq minha memoria se constitui de pequenos fragmentos…espero que eu fique bem. beijo. parabens pelo site.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS