terça-feira, 17 set 2019
Administração

Quando um paciente se vai

adeusOntem foi a despedida de um paciente que estava se tratando comigo a seis meses, L.C., 49 anos. Quando ela chegou ao meu consultório estava deprimida sentindo-se muito solitária e isolada do mundo e das pessoas, empobrecida em seus relacionamentos ao ponto de dizer que não conseguia mais nem ir ao cinema por se sentir muito só, em suma sua vida estava uma lástima.

Vinda de dois casamentos desfeitos não tinha ninguém como companheiro já a alguns anos e cassim sua solidão foi se fazendo mais profunda. Cultivava muitas raivas sendo este o sentimento que mais habitava sua alma quando chegou ao tratamento. Me contou também que se era contrariada ou perdia o controle sobre algo era dada a explosões de temperamento agredindo quem estava por perto; além de tudo isso estava sendo vítima de compulsões por gastar e comer, estando acima do peso adequado à sua idade. Segundo ela mesma sua solidão se devia a seu temperamento irascível, por demais voluntariosa e por não tolerar ser contrariada, queria mudar o que fosse preciso em sua vida pois não suportava mais viver com dor.

Após seis meses de tratamento ela havia melhorado bastante, estava aprendendo a não cultivar muitas raivas e a ser mais tolerante com as pessoas. Essas mudanças foram impulsionadas por 3 regressões que fez nas quais seu espírito sempre aprendia, após as vidas de que lembrava, que deveria ser menos rigorosa e a levar a vida menos a sério, curtindo-a e aproveitando o que ela podia lhe dar de prazer e bons momentos.

Apesar de suas melhoras, compromissos profissionais a levaram a voltar para sua cidade de origem e a parar o tratamento. Ela disse-me, pesarosa, que se tivesse condições ficaria vindo à nossa cidade só para ficar fazendo as sessões pois nunca melhorara tanto na vida, mesmo após anos fazendo outros tratamentos, mas isso seria inviável no momento. Achei engraçado ela me dizer que teve aquelas melhoras porque eu “não passava a mão em sua cabeça” e a fazia refletir, que bom que funcionou, mas tenho certeza de que o que a fez melhorar mais foi sua vontade de mudar e a determinação que teve para se superar.

Tenho que confessar que também me senti pesaroso, a sensação de perda de algo me pesava no peito, estava perdendo alguém por quem tinha desenvolvido laços de afeto e que talvez nunca mais fosse reaver, afora isso me preocupava como iria ficar seu estado, mas ela me garantiu que iria buscar outro terapeuta em sua nova cidade, isso me reconfortou. Torço por você minha amiga, para que a solidão nunca mais seja sua companheira e que você consiga ser mais leve e feliz, vá com Deus.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS