sábado, 19 ago 2017
Administração

O sentido da vida


Fui perguntado esta semana sobre algo que talvez seja a pergunta que mais aflige a humanidade desde que ela começou a desenvolver a sua história e filosofia: Qual o sentido da vida? Surpreso tentei responder a uma coisa tão profunda. Parte desta reflexão vai a seguir. Desde que se começou a buscar essa resposta, filosofia e religião disputam a primazia de ter a melhor clareza na solução de uma questão tão difícil, mas infelizmente ninguém consegue chegar a um consenso que satisfaça nossas angústias e estas nos impelem a buscar na vida um sentido, um destino ou mesmo uma missão.

Com exceção daqueles espíritos que ainda grassam na mais absoluta ignorância as pessoas, mesmo sem querer, parecem buscar da vida algo mais do que simplesmente existir ou sobreviver. É neste aspecto que nos diferenciamos dos animais e outras formas de vida que coabitam conosco na Terrasentido da vida. Nossa consciência, faceta incompreensível de nosso espírito, não se contenta apenas com a satisfação das necessidades materiais, intuitivamente queremos mais, almejamos, mesmo que sem saber, a paz de espírito, a satisfação completa e a serenidade emocional. Contraditoriamente, passamos a vida numa busca que nos transforma exatamente no contrário disto; nos tornamos neuróticos, estressados, esgotados, insatisfeitos e infelizes. Corremos atrás do dinheiro e de possuir coisas e as pessoas, e ainda sucumbimos aos desejos mais estranhos e inconsequentes na esperança de que assim nos tornemos plenos.

O que descobri no trato com meus pacientes é que não existe UM sentido da vida, este é individual e personalíssimo, cada um ter que procura-lo do seu modo, mas existe O sentido da vida, que é o aprendizado e o crescimento interno, sempre. O problema vem, inicialmente, de não conhecermos a nós mesmos e não termos a mínima ideia de nossas reais necessidades. Colocamos-nos ao nível dos animais e buscamos apenas a satisfação dos sentidos, sendo que o melhor que podemos fazer para atender essas necessidades é desfruta-las com o máximo de refinamento, para que entre nossos pares a inveja e o reconhecimento torne a nutrir nossas, sempre insatisfeitas, carências emocionais.

Muitos dos transtornos que detecto em meus pacientes, surgem de desarranjos emocionais e psicológicos que foram consequência dessa busca, por outra, surgem doenças do espírito, que insatisfeito e vendo a existência se findar vazia e sem sentido, manifesta seu desalento na forma da mais profunda depressão ou melancolia e de outros transtornos. Aí as pessoas correm em busca de ajuda e vão à terapia, ou simplesmente ao psiquiatra, para se abastecer de ansiolíticos e antidepressivos que abafem ou silenciem seu espírito angustiado. Mas esta é uma solução paliativa, logo esses remédios deixam de fazer o efeito desejado ou mesmo nunca chegam a fazer.

Esse foi o caso de R.R em 2017. Jovem rapaz de trinta e poucos anos que veio à terapia após ter tentado sem sucesso durante alguns anos cura para uma depressão acompanhada de um estado melancólico persistente. Até aqui a única coisa que haviam lhe prescrito foram alguns antidepressivos e remédios para TDAH que, apesar de melhorarem sua ansiedade, lhe deixavam em permanente estado de letargia, o que piorava em muito sua qualidade de vida. Após nove sessões e algumas melhoras na décima veio uma regressão muito esclarecedora sobre o sentido de sua vida, mas muito universal que pode servir a muitos de nós. Após a morte da sua personagem, naquela vida relembrada, sua consciência espiritual trouxe as seguintes lições: “Me senti feliz em fazer parte de uma coisa grande, que admirava, de um todo, como se tudo tivesse certo, senti gratidão. Aprendi a confiar mais em Deus e acreditar na vida, as coisas não eram por acaso. Havia aprendido a ter fé e era hora de continuar”. Depois disso R.R abriu os olhos como se tivesse tido uma revelacão e entendido qual seu papel na vida afinal.

Nos processos terapêuticos noto que muitas vezes a cura para ocorrer depende, em muito, do paciente realizar esse tipo de descoberta ou ter algum insight sobre seu estado e suas reais necessidades, de qual é o sentido de sua vida e sua existência. Somente a partir daí ele tem condições de evoluir positivamente dentro da terapia e encontrar as respostas que busca, se aliviando de suas dores, que muitas vezes tem origem obscura, como no caso de R.R. Essas respostas nos são dadas em meio a descobertas sobre a vida e a existência neste plano; outras vezes é o inconsciente que por meio de lembranças de outras vidas, em sessões de regressão, nos mostra o melhor caminho a seguir, nos fazendo ver as respostas que afinal já existiam em nós mesmos. É uma questão de querer saber e saber ouvir o que vem de dentro, pois nosso espírito nunca cala e nossa consciência está sempre nos avisando do que é melhor para nossa caminhada. Só assim podemos descobrir o verdadeiro sentido de nossa existência.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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