quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

Quando nos sentimos sós

Interessante como os pacientes parecem se agrupar em determinado tipo de problema que surge por época no consultório, estou agora na fase dos solitários. Eles vem de todos os jeitos, aqueles que não tem ninguém e sofrem de uma solidão profunda, outros que até tem família, mas se sentem sós pela falta de carinho e atenção deles, ainda tem aqueles outros que se sentem sozinhos por nunca ter tido ninguém para amar e desenvolver um relacionamento romântico verdadeiro.solidão

Normalmente mulheres, os homens são mais resistentes em buscar ajuda, acima dos 30, de qualquer raça, cor, credo ou classe social. Todas parecem afetadas no seu íntimo pela solidão ou pelo temor dela, e devido a isso, tomam às vezes decisões irracionais, como se unir a pessoas que às fazem infelizes, que não partilham seus valores ou que na realidade não lhes dão nenhum afeto, apenas lhes servem de um tipo muito pobre de companhia, pois que na realidade não as acompanham à nada.

Essas pessoas pagam um preço caro para ter migalhas de afeto dos companheiros, filhos ou amigos, ficam em posição servil ou passam a responder por todos os encargos financeiros do lar ou daquelas pessoas de quem dependem tanto, num nível incompreensível à quem nunca passou por isso. Todas, no fim das contas, findam tendo um pouco de companhia, mas continuam extremamente carentes de afeto. Como fazer então? Onde buscar pessoas que realmente se interessem em dividir algo de bom? o que pensar ou que atitude tomar se apartar-se daquelas pessoas a quem se paga para ter por perto, se isso vai trazer uma solidão ainda mais insuportável? São essas as questões que afligem os solitários e para as quais eles não encontram respostas.

Nenhum tipo de terapia deve se arvorar ao direito de dar respostas prontas ou de ser a dona da verdade absoluta, o que se pode fazer dentro do processo terapêutico é ajudar o paciente a encontrar suas respostas, até porque estas são individuais e só servem a quem as busca, mas posso dividir algumas lições que tenho aprendido. A primeira é que temos sempre que reavaliar nossas crenças e opiniões a respeito do mundo e das pessoas, quanto mais críticos e exigentes somos mais nos afastamos do homem comum e as pessoas passam a nos enxergar como indivíduos orgulhosos e arrogantes, antipáticos ou simplesmente chatos, e quem quer ficar perto de gente assim? Dessa maneira, quem tem esse perfil, vai sendo posto cada vez mais de lado, até que passe a se sentir verdadeiramente solitário, independente de quantas pessoas tenha à sua volta.

Você pode perguntar: “Mas eu não tenho direito de ser da maneira que sou e ter minhas próprias opiniões sobre o mundo?”, claro que pode, mas também saiba que todos também tem esse direito, inclusive de não lhe querer por perto, nem dividir a vida com você, o resto são escolhas…

O problema é que, normalmente, queremos exigir que os outros nos entendam e nos tolerem, com todos nossos defeitos, mas não fazemos o mesmo com os outros, por outra, exigimos gratidão e reconhecimento por sermos tão bons e prestativos, quando na realidade o que estamos dando ninguém pediu. Ninguém está só por acaso ou castigo divino, Deus não seria tão cruel assim, o que acontece é que com nosso modo de ser e nossas atitudes afastamos as pessoas ou nos afastamos delas, seja por termos a ilusão de sermos tão autossuficientes que não precisamos de ninguém, puro orgulho, ou por nos tornarmos insuportáveis. Aí realmente temos que pagar para ter alguém que nos dê migalhas de afeto.

Mesmo para aqueles que vivam num entorno familiar que seja agressivo ou violento, onde campeie a incompreensão e o conflito, sempre existirá um mundo lá fora, onde existem milhares de pessoas dispostas a dividir bons afetos e boas companhias, o mundo não se restringe à família ou aqueles que moram sob o mesmo teto, abramos os olhos para ver. Vale a pena lembrar de Jesus Cristo, que mesmo estando acompanhado das massas sempre foi um solitário, pois que ninguém o entendia, nem seus discípulos, aonde ele olhasse só havia ignorância e incompreensão, e mesmo assim ele não esmoreceu, pois tinha a companhia do Pai e aí encontrava o seu conforto. Lembremos de que na realidade nunca estamos sós pois estamos eternamente envolvidos pelo amor de Deus.

 

 

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS