domingo, 25 ago 2019
Administração

Conhecendo o Umbral

Umbral… conceito espírita de uma região trevosa similar ao tão conhecido inferno judaico-cristão aonde vagam espíritos em grande sofrimento, a diferença entre os dois é que as penas no inferno seriam eternas, já no umbral não. Comumente durante as regressões acontecem experiências e relatos dos pacientes em regiões que em muito se assemelham aqueles dois lugares, mas como sempre percebo que existe um fim para aquele sofrimento ou uma saída daquele inferno, o conceito que me parece mais apropriado é o do Umbral da forma como é visto pelos espíritas.

Normalmente os espíritos que são “condenados” a ir para esse lugar terrível são aqueles que cometeram em alguma existência crimes contra a vida ou a humanidade em vidas de barbárie e impunidade. e o inconsciente do paciente, grande comandante de todo processo terapêutico, é quem vai decidir quando lhe mostrar uma vida aonde ele tenha tido esse tipo de experiência. Este foi o caso de minha paciente N.R, senhora de 69 anos que veio à terapia com queixas de vários tipos de problemas familiares, entre eles seu relacionamento com os filhos, netos, noras e genros que era cheio de conflitos e agressividades, além disso ela padecia de um medo extremo da solidão e do abandono, mas Dona N.R queria se cuidar. Apesar de sua idade me causou admiração a vivacidade com que percebia seus problemas e sua vontade em se tratar e, principalmente sua disposição para mudar em sí o que fosse preciso para ser feliz.

Uma coisa que me chamou a atenção, e que ela só me contou depois de umas 5 sessões, possivelmente com medo de algum tipo de preconceito, foi que tinha um terreiro de Umbanda em casa, e lá fazia um trabalho assistencial junto à sua comunidade. Isso me fez pensar em quantas dívidas cármicas ela teria para seu espírito escolher esse tipo de vida e provação. Fui conduzindo o processo terapêutico de forma lenta e gradual, mais por ela ter muitas queixas de suas brigas familiares, que tomavam quase todo o tempo da sessão do que por outra coisa. Até que na décima sessão, com ela já tendo alguns insights sobre seus defeitos e problemas de temperamento, fizemos sua primeira regressão.

Para minha surpresa ela “caiu” logo numa região “umbralina”, da qual não teve percepção imediata do que seria, e que descrevo a seguir, reproduzindo seu relato: “Perece que estou num deserto…tem arbustos secos, e tudo é escuro, as coisas perecem pretas,  tudo é feio, sem nenhum verde, o mato me prende e segura, não tem mais ninguém aqui..”. Pela sua descrição deu para que eu percebesse  que ela tinha muitos embaraços nesse lugar à seus movimentos, parecia que o lugar todo lhe tolhia , além de ser bastante feio e desagradável causando atrapalhos.

Ao perguntar coma era a sua personagem ali ela se descreveu como uma mulher quase louca, feia, baixinha, de cabelos pretos e desgrenhados, parecia não ter dentes e estava muito suja, assim como todo o lugar, suas vestes pareciam grudadas no corpo ao ponto dela nem saber se realmente era algum tipo de vestimenta. Não sentiaumbral-300x200 fome nem sede, apenas um tipo de “secura”; era tomada pelo medo e desespero por não ter aonde ir e estar só naquele lugar.

Suspeitei que ela estaria num plano entre as vidas, ou desencarnada se preferir,  lhe perguntei onde ela estava ao que ela me confirmou que aquele lugar realmente não era aqui, em nosso plano. Após ter-lhe feito relembrar a vida que teve antes de morrer e ir para lá entendi o que lhe levou para aquele “umbral”. Ela havia se suicidado após uma desilusão amorosa se jogando de um penhasco, numa vida vazia e solitária, depois da morte se viu ali, isto é um daqueles crimes contra a vida que nos coloca em desarmonia com a criação divina. O engraçado é que quando ela chegou à terapia veio cheia de pensamentos suicidas que após essa regressão cessaram por completo, também pudera, ela se lembrou de todo o sofrimento que aquele suicídio em vida passada lhe causou.

O Umbral pode ter muitos aspectos diferentes, variando pela experiência pessoal de cada um, e suas lembranças independem de fé, crença ou religião, simplesmente ocorre após vidas de desmando ou em desalinho. Normalmente essas recordações são utilizadas pelo inconsciente para auxiliar o paciente em sua busca pela cura e para entender seus problemas; com Dona N.R não foi diferente, depois daquela regressão estamos indo muito bem na terapia e percebendo várias melhoras.

 

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1 Comentário

  1. Parabéns! Adoro seu site.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS