quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

Materialismo e infelicidade

materialismoLendo matéria jornalística esta semana ví um artigo muito interessante cujo título era “Materialismo traz infelicidade”, ela tratava dos resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade Brigham Young por Jason Carroll, no estado de Utah nos EUA com 1734 casais que concluiu que o materialismo foi “negativamente associado à qualidade do casamento”.

Essa matéria é ótima para que possamos refletir sobre nossos próprios valores e sobre aqueles valores que a sociedade atual nos transmite continuamente, associando felicidade e bem-estar a sucesso econômico e financeiro, vamos refletir nos porquês disso. Segundo a pesquisa casais materialistas apresentam formas menos eficientes de se comunicar e mais negativas de resolver conflitos, já os menos materialistas tinham casamentos melhores em vários aspectos. Materialismo é uma postura que associa a nossa busca de realização ou completude na vida à aquisição de bens materiais, como o próprio nome diz, e à satisfação contínua de nossos desejos e pulsões num nível mais instintivo, que pode também ser cultural e intelectual, mas sempre ligado às coisas mundanas.

Com esse tipo de postura é natural assumirmos uma posição mais egoísta na vida, aonde em primeiro lugar está justamente a satisfação de nossos desejos e depois o resto. Assim família, sociedade e relacionamentos estarão condicionados àqueles valores iniciais que nos levarão a assumi-lo desde que nos sirvam para algo ou nos satisfação materialmente de alguma maneira. Aí vem o segundo aspecto que decorre como consequência desse modo de ser, o de usar as coisas e principalmente as pessoas em benefício próprio, pois afinal elas estariam aí apenas para nossa satisfação pessoal e afinal por quê se importar com elas, se no final a vida finda num grande nada. Tomo a liberdade de deduzir esse tipo de raciocínio pois creio que ele vai acontecendo naturalmente.

Por quê se preocupar com o porvir se nossas crenças nos dizem que o mundo se limita a este plano em que nos encontramos? para quê ajudar o próximo se isto não vai nos servir de nada? com que objetivo vamos cultivar em nós nossas melhores qualidade se isto não vai servir para a satisfação de nossos desejos? Acredito que possamos trazer para o nível pessoal o resultado dessa pesquisa e consigamos tirar algumas conclusões interessantes que podem esclarecer como às vezes pessoas extremamente realizadas materialmente não conseguem ser tão felizes quanto aqueles que tem muito menos, em termos materiais, do que eles.

A primeira coisa que me vem à mente é que materialismo e egoísmo estão sempre muito associados, é muito difícil para mim pensar em termos absolutamente materiais e ainda assim ser, por exemplo, caridoso ou altruísta, pois isso implicaria em eu mesmo ter que abrir mão de coisas que poderiam me satisfazer em função do meu próximo; ainda assim se eu quiser forçar um pouco a barra e quiser acreditar que exista alguém assim, ainda vai ser muito difícil crer que tal pessoa iria deixar de usufruir de algo para dá-lo o outrem sem benefício próprio nenhum, pois para ele isso diminuiria sua própria satisfação ou felicidade.

Essas posturas tem tudo a ver com nossos crenças e valores, que justamente foi o objetivo da pesquisa que explorou o impacto que diferenças de valores podem ter no casamento e de qual a importância que maridos e esposas dão a bens materiais, associando essa forma de vida à um casamento mais infeliz. Por isso sempre vai existir, como demonstrou a pesquisa, dificuldade de diálogo entre os dois componentes do casal, bem como também existirão formas mais negativas de resolver conflitos, tudo isto decorre de uma postura egoísta pessoal das pessoas que formam o casal. Para melhor dialogarmos é necessário, muitas vezes, nos colocarmos no lugar do outro e para diminuirmos os conflitos temos também que muitas vezes ceder e doar algo.

Com é que isso será possível fazer isto quando o egoísmo impera? como será que conseguiremos doar algo se estivermos acostumados a apenas a acumular, pois aprendemos, erroneamente, que isto nos faria mais feliz? como seria possível nos colocarmos no lugar do outro se sempre priorizamos a nós mesmos? Tudo isso vai ser bem natural para pessoas com este perfil. Jesus, meu eterno exemplo de conduta, disse uma vez: “Aonde está o seu tesouro, aí estará seu coração”, querendo dizer que condicionaremos sempre nossa felicidade àquilo que acreditamos ser o que tem mais valor para nós; é verdade ou não?

Se, como vimos na pesquisa, nossa felicidade for sempre atrelada à matéria, ela será sempre muito frágil, pois a matéria é perecível e sempre vai se decompor com o tempo, e assim, por consequência, será nossa felicidade também.

 

 

Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS