terça-feira, 17 set 2019
Administração

Melancolia e solidão

Descobri, já a algum tempo, que alguns pacientes que me chegam com queixas sobre problemas de relacionamento na verdade sofrem de um problema bem mais complexo e profundo, a melancolia. Habitualmente confundida com a depressão, apresenta no entanto alguns diferenciais que marcam a vida do paciente de forma muito dolorosa. 
Especificamente no caso desses pacientes a que me referi, a melancolia e os seus sintomas se tornou insuportável aos seus parceiros, de forma que só lhes restou abandona-los e à sua doença, e o que ficou foi uma solidão extremamente dolorosa, pois além de perdem parceiros, amores e companheiros, passam a ficar sem mínima condição de superar seus próprios problemas.

Normalmente os pacientes melancólicos não conseguem exprimir suas dores com melancoliapalavras e tentam aliviar seu sofrimento escrevendo diários ou pequenos textos, às vezes o fazem também por meio de expressões artísticas como a poesia e a pintura; isso de alguma forma diminui sua carga do dor e o coloca num nível maior de entendimento por aqueles que o cercam, transformando seu sofrimento em algo mais palpável e compreensível. Muitos artistas da antiguidade até o século 19 e início do século 20 tinham uma nítida associação entre seus dons artísticos e sua melancolia, parecendo não poder existir uma coisa sem a outra, o que de certa forma valorizava aquela característica de personalidade. Mas, apesar desses esforços, o melancólico muitas vezes sente que esta fadado à solidão, envolto por um mundo que não o compreende e às suas dores. Nada mais falso, existe tratamento e cura sim, depende de muito esforço e perseverança, mas no final a vida pode se normalizar e o sofrimento desaparecer.

Diferentemente da depressão aonde o paciente, apesar de seu sofrimento intenso, quer dividir suas dores com os outros e consegue até exprimi-las e nomeá-las, o melancólico não consegue fazer nenhuma coisa nem outra, seu sofrimento é inexplicável e inexprimível e isso o impele a se isolar de tudo e de todos, pois afinal quem vai compreende-lo? Para piorar eles tem em comum a vergonha de seus sintomas e de sua própria infelicidade e tristeza, fazendo o possível para não demonstrar seu estado.

Nesses pacientes a busca por terapias e tratamentos medicamentosos pode minorar os efeitos da doença, mas isto nunca é em definitivo se não ocorre uma mudança real frente as causas do problema em si. Essas causas normalmente estão guardadas no inconsciente mais profundo, inacessível aos tratamentos convencionais, no íntimo do espírito, por isso talvez os psicofármacos não tem um efeito especialmente satisfatório nestes casos. Neste plano, o do inconsciente profundo, onde dormitam nossos conteúdos espirituais, é que vamos mergulhar durante o tratamento com a Terapia de Vidas Passadas, para de lá retirarmos recursos para a cura. É uma busca lenta e difícil, onde temos que contar com toda a ajuda e determinação do paciente em manter-se em terapia, pois muitas vezes o resultado demora a aparecer, mas a recompensa final vale a pena.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS