domingo, 25 ago 2019
Administração

Um luto que não cessa

Quando se fala em luto é normal falar-se no tempo dele e na sua superação; é algo natural que após perdermos alguém que amamos tenhamos um tempo de reavaliação da vida e de nossos valores, afinal somos confrontados com nossa própria mortalidade e isso deixa profundas marcas em qualquer um. O habitual, pelo menosluto aparentemente, é notarmos que as pessoas , após um período de tempo que varia de acordo com a personalidade de cada um, reassumam suas posições habituais na vida e passem a agir normalmente, apesar de suas dores, mas infelizmente nem sempre é assim.

Tenho encontrado no trato diário com meus pacientes situações que me fazem acreditar que o luto, além de muitas vezes não ter condições de ser superado, ainda vai dar reflexos e influenciar atitudes em vidas posteriores àquelas em que ocorreram as perdas, no que se costuma chamar de luto patológico ou complicado. Posso perceber isso claramente quando tenho pacientes que me chegam trazendo em sua bagagem emocional sintomas de uma melancolia com queixas que não tem motivo nem fundamentação nesta vida, por exemplo: uma saudade intensa que não cessa e não se sabe do que, uma nostalgia de uma época que não se pode precisar qual, ou a sensação de querer estar perto de alguém que não se tem a mínima ideia de quem é.

Normalmente todas essas sensações estranhas estão associadas a uma tristeza intensa e profunda e/ou ainda a episódios melancólicos mais ou menos frequentes, que podem muito bem se apresentar com aparência de um episódio depressivo, sempre sem causa aparente. Assim noto que desânimo e falta de sentido de vida, bem como outras alterações da depressão podem ocorrer, sem que se consiga distinguir exatamente sua origem. Quando iniciamos as regressões dentro do processo psicoterápico, findamos descobrindo que as origens de tais emoções e sensações desencontradas foram perdas sentimentais ou traumas experimentados em vidas que já se foram de muito.

Mães, amantes, maridos, filhos, enfim qualquer pessoa que foi objeto de amor ou paixão do paciente e do qual ele teve um afastamento ou uma perda irreparável, como a morte, deixam profundas marcas em seu espírito, que nem a morte física consegue apagar. Por este motivo temos que reavaliar até onde pode ir o luto e entender que, às vezes a melancolia, ou até alguma tristeza  ou saudade intensa e inexplicáveis, nada mais são que um luto que nunca se resolveu e foi ficando de vida após vida amargurando um espírito.

Normalmente tenho observado grandes melhoras naqueles sentimentos negativos quando os pacientes relembram seus motivos, e assim como nesta vida, entram em contato com esses conteúdos e conseguem aceitar e elaborar sua dor. Parece que isto os ajuda a fechar um ciclo de sofrimento que permanecia em aberto e que talvez o espírito só agora tivesse condições de compreender e superar. Assim é que evoluímos ao longo das eras, superando dores, traumas e perdas, graças a Deus tendo muitas oportunidades de refazimento.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS