quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

A tragédia do Rio e o carma

Esta semana no Brasil o assunto mais comentado foi a tragédia que aconteceu em Realengo, no Rio de Janeiro, no episódio foram mortas 12 crianças, pelo menos até hoje, ficando outro tanto de feridas, todas na pré-adolescência, estavam no colégio onde estudavam pela manhã, quando um desequilibrado mental invadiu as salas de aula e descarregou várias vezes suas armas nas crianças, principalmente nas alunas. Esse fato afetou todo o país que assistiu estupefato o crime hediondo.realengo

Quem assistiu os noticiários não teve como se furtar às lágrimas vendo pais, mães. irmãs, parentes e colegas chocados e sofrendo pela perda tão abrupta e traumática de seus entes mais queridos, muitos tomados pelo desespero e pela dor sem saber ainda se seus parentes estavam entre os mortos ou feridos e depois de saberem expressarem uma sofrimento insuportável.

Não houve como me furtar de um sentimento de revolta por aquelas vidas perdidas tão cedo e acho que, como todos, senti uma certa frustação em saber que logo depois dos assassinatos o doente mental se suicidou. A impressão que ficou foi como se ele tivesse fugido à punição merecida, e hoje durante um atendimento no consultório à uma paciente, ela comentou sobre o assunto e disse que ele “iria para o inferno’’ para pagar pelos seus crimes. Após esse comentário lembrei dos sentimentos que também passaram pelo meu coração, como nos de qualquer ser humano, ao assistir os jornais e os comentaristas debatendo o assunto, mas também tenho que comentar sobre as coisas que aprendi com meus pacientes a respeito de causa e efeito, justiça divina, céu e inferno, luto e etc.

No período inicial do luto que vai afetar várias famílias  ficará de imediato a impressão de abandono ou ausência de justiça divina em relação à seres podados da vida ainda tão cedo e a revolta com a vida que pode ser tão injusta, a depressão ou pelo menos episódios depressivos tomarão conta de muitos daqueles amigos e familiares, e tudo isso é muito compreensível, mas temos que tentar ver além de tudo isso, até para tentarmos diminuir um pouco a dor de tantos que sofrem nesse momento.

Inicialmente vamos falar de céu e inferno, objeto do comentário de minha paciente e conceito bastante conhecido oriundo de nossa formação judaico-cristã, principalmente no catolicismo. Nas regressões que presenciei, e inclusive em uma que passei como paciente, realmente já vi relatos de regiões que podemos chamar de “infernais” tanto na aparência como no nível de sofrimento, bem como nos seres que os habitavam, mas com uma grande diferença, apesar de serem lugares onde o sofrimento parecia eterno na realidade não o era, em um ou outro momento o espírito sofredor saiu dali e teve a oportunidade de viver outra vida ou reencarnar.

Essas experiências normalmente ocorreram depois de vidas dedicadas ao crime, à atitudes que atentaram contra a vida ou que levaram ao sofrimento de outros seres humanos, mas o importante é que nunca ficaram sem algum tipo de consequência, seja no pós-vida ou em vidas que se seguiram, assim é um erro pensar que o crime cometido pelo indivíduo que causou a tragédia do Rio não vai ter para ele consequências imediatas, por mais que ele tenha tentado fugir disso pelo suicídio. Seu sofrimento vai ser proporcional à intensidade do que causou e pode durar muito tempo e, possivelmente, não foi a primeira vida em que ele cometeu esse tipo de barbaridade, pois nos pacientes com graves problemas mentais de quem tratei esse padrão permanecia durante várias vidas relembradas e, a cada morte, um novo “inferno” com novo grau de sofrimento.

A justiça humana é extremamente falha e vemos com muita frequência os maus terem sucesso e terminarem a vida sem pagarem pelos seus desmandos, e isso muitas vezes nos desencanta e nos desalenta e, caso não tenhamos a noção da imortalidade da alma, realmente o senso de justiça perderia seu sentido e a moral deixaria de existir. Mas, independente de qualquer religião ou crença, você pode ter a certeza que nenhuma atitude criminosa ou desajustada contra as leis divinas ficará impune, pois são essas leis que ordenam o funcionamento do universo e, se infringidas, exigem um reajuste adequado, nada que se pareça com o castigo tão comum às religiões, mas são simples consequências que vão atuar mais a nível de aprendizado, um aprendizado que pode ser muito doloroso é verdade, mas sempre um aprendizado. Muitas vezes as vítimas de hoje já tiveram relações com seus algozes em outras vidas, que pode ser de um tipo mais feliz ou não, mas sempre criando laços perenes que vão  se alternando ao longo das eras.

Quando um fato trágico como esse assassinato em série aconteceu existem, de certeza, situações e conjunções que interconectam os personagens sabe-se lá a quanto tempo. Lembro, por exemplo, de um paciente que entre algumas regressões lembrou de uma em que havia morto três mulheres de forma brutal e, após algumas vidas relembradas, em uma foi um bom médico, conceituado em sua comunidade, que findou sendo assassinado, só que aí aconteceu o fato interessante. Ao pedir-lhe para me contar as circunstâncias de sua morte ele me contou que foi assassinado por três marginais que queriam assalta-lo e, ao se ver cercado em uma viela pelos três homens falou, como que reconhecendo alguém: “Esses homens são aquelas mulheres que matei na regressão que fiz outro dia…”, achei o fato curioso porque demonstrou-me claramente o funcionamento das leis de causa e efeito atuando na vida de uma pessoa e pensei em como a morte daquele médico foi encarada pela sua comunidade sem que esta soubesse do que ele havia feito em vidas anteriores, plantando os motivos que findaram resultando no seu assassinato.

Infelizmente, para nós mesmos, continuamos agindo de forma a adquirirmos carmas negativos para nossas próprias existências. Gostaria de não ver, nem sentir e nem mesmo de viver num mundo em que essas coisas acontecem, mas de certeza é o mundo em que mereço estar, assim com todos os que estão aqui. Espero que aquelas crianças encontrem depois do desencarne paz e condições de progredir em sua caminhada eterna, e que seus entes queridos tenham forças para superar momentos tão dolorosos sabendo que a morte é apenas uma mudança de planos temporária e logo todos se reencontrarão novamente.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS