sábado, 21 jul 2018
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O Jesus Humano

Acabei de ler um livro lindo que recomendo a todos e vem bem a calhar nessa época natalina, “Seu nome é Jesus” de Max Lucado, nele Jesus é apresentado como um ser divino, mas ao mesmo tempo com características muito humanas, e é possivelmente por isso que a figura de Jesus se torne mais bonita e impressionante ao longo de sua história. A seguir listo algumas de suas colocações e faço alguns comentários, pobres talvez, frente à beleza do tema, mas ainda assim quero deixar algo registrado neste blog em uma época tão importante para os cristãos. O livro inicia-se com a seguinte citação: “Ele podia segurar o universo na palma da mão, mas abdicou disso para flutuar no ventre de uma virgem”. Coisa boa de se pensar a respeito da opção do Cristo em se tornar humano.

Aquele espírito, que de tão impressionante não é bem compreendido até hoje, confunde nossa capacidade de entender o divino e supera nossa capacidade de compreensão a respeito do que realmente ele nos trouxe, só sabemos que depois dele a humanidade nunca mais foi a mesma. A forma de entender quem foi Jesus Cristo varia em função da religião que o interpreta; normalmente o temos como personagem religioso, quando ele não esteve aqui para fundar nenhuma religião ou doutrina, talvez ficasse até encabulado se lhe perguntassem se era “cristão”, pois seu senso se humildade era tão agudo que dificilmente aceitaria tal deferência a seu nome.

Variando do Profeta enviado por Deus, até o papel do próprio Deus, encarnado como homem, outras religiões o encaram como um ser ou espírito altamente evoluído enviado para auxiliar na evolução do planeta. Eu particularmente partilho mais dessa última crença, não querendo dizer que seja a única verdadeira, pois acho que ninguém tem a real noção do que ele foi e é para a humanidade. Como Lucado bem coloca: ” As pessoas vieram (…) trouxeram-lhe os fardos de sua existência e ele lhes deu não uma religião, não uma doutrina, não um sistema, mas descanso. Por causa disso, elas o chamaram de Senhor, por causa disso elas o chamaram de Salvador.”

Falando sobre a humanidade de Jesus, Lucado diz: “Por trinta e três anos ele sentiria tudo o que eu e você já sentimos. Ele se sentiu fraco. Seus pés doeram. Teve medo do fracasso. Era suscetível a mulheres sedutoras. Ficou resfriado, arrotou e partes de seu corpo cheiravam mal. Seus sentimentos foram feridos. Ficou cansado. E sua cabeça doeu”.

jusus2Interessante essa forma de pensar, normalmente, no ocidente cristão, somos habituados a encarar a existência de Jesus como algo absolutamente divino, como se ele não tivesse habitado um corpo como o nosso, como todas as nossas imperfeições e fraquezas de caráter, sofrendo a influência dos seus hormônios e do meio em que vivia, parecendo que tivesse descido diretamente dos céus, ainda como anjo celeste. Mas Lucado diz que apesar de todas as dificuldades em lidar com a carne em que seu espírito superior habitava Jesus buscou na sua força espiritual aquilo que precisava para concluir sua missão.

Desses pensamentos  Lucado diz: “Se houve alguma hesitação da parte de sua humanidade, ela foi vencida pela compaixão de sua divindade. Sua divindade ouviu as vozes. Sua divindade ouviu o clamor desesperado do pobre, as acusações amargas do abandonado, o desespero da incerteza daqueles que tentaram salvar a si mesmos”. Quer dizer, a humanidade de Jesus o fez algumas vezes temer e hesitar perante as duras provas pelas quais ia passar, mas pensando no exemplo que precisava dar, a isso era o mais importante, não teve dúvidas de que precisava seguir em frente, e para isso o sofrimento dos descontentes e miseráveis era sua mola propulsora, como deixa-los todos órfãos? Não, era impossível, mesmo à custa do seu sangue, da sua dor física e moral mais profunda.

Em jesus impressionava um magnetismo que era sobre-humano, quem tivesse relatos dele apenas por sua aparência física, não imaginaria jamais a atração que impunham sua presença, ou força moral que levava sua vontade e ser executada no momento em que fosse expressa, como se sua sabedoria fosse inquestionável, por mais que isto, visto de longe, não fosse compreensível, principalmente pelos intelectuais da época. Vendo a situação apenas pelo lado da razão não compreendiam como o Cristo tocava a todos diretamente no coração. Além disso emanava dele uma aura de misericórdia e piedade tão intensas que podiam ser percebidas pelas nossos sentidos como visões, cheiros e toques divinos, impossíveis de ser explicados apenas com palavras.

E, falando em toque, Max Lucado, em outro capítulo, coloca que o toque de Jesus era miraculoso e disso temos vários exemplos nas escrituras, mas na realidade seu poder maior estava em algo mais sutil, a palavra, pois se seu toque se foi com seu corpo físico, sua palavra transformadora continua reverberando, transformando e curando homens até hoje. Que poder é este que mesmo na ausência da presença física de seu dono ainda pode ser exercitado por que se dispuser a, com fé, faze-ló em seu nome? A única explicação que encontro é a de o amor foi o veículo que carregou suas palavras naquela época, e a sua força transcendendo tempo e espaço, pode nos sintonizar com suas vibrações até hoje, pois que ficaram eternizadas em nosso plano, talvez por isto tenha havido a necessidade da vinda de Jesus, para que ele marcasse nosso plano de existência com sua presença e elevasse a vibração desta parte do universo.

No último ato de sua existência em nosso mundo é quando talvez Lucado descreva com mais exatidão Jesus como homem que foi, antes de assumir seu papel divino, conta como devem ter sido aqueles momentos em que, após todos terem ido embora do local da crucificação, Jesus ficou às portas da morte : “ Então ele gritou. Como se alguém tivesse puxado seus cabelos, jesus grita(…) seu grito cortou a escuridão. Colocando-se o mais ereto que os pregos lhe permitiam, ele gritou como alguém chama um amigo ausente “Eloí!”. Sua voa saiu áspera e estridente. Reflexos das tochas brilhavam em olhos arregalados “Meu Deus!”  Ignorando a dor que jorrava como que de um vulcão, empurrou-se para cima até que seus ombros ficassem acima das mãos pregadas. “Por que me abandonaste?”

Como não nos sensibilizarmos diante de um sofrimento tão humano? que motivações teria uma pessoa comum para abrir mão de sua vida, sua família e seu conforto para tal, quando bastariam algumas palavras de negação sobre sua própria aspiração divina para evitar todo esse sofrimento? Suas angústias na hora derradeira foram absolutamente humanas e suas dores iguais a de qualquer um de nós no seu estado, e aí está a beleza ímpar deste momento que atravessou os séculos sem que se perdesse sua força de nos impressionar, como pode alguém ser humano e ao mesmo tempo não padecer de nossas fraquezas, nos mostrando que superar qualquer dor é possível.

Se quiser ver um video sobre a crucificação clique no play.

Assim quando ele nos pede “Renuncie a si mesmo, pegue sua cruz e siga-me”, é porque sabe das dificuldades para fazer isso e , se por vezes é tão difícil para nós pegarmos nossas pequenas cruzes, lembremos desse exemplo.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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