quinta-feira, 21 nov 2019
Administração

Casos, paixão e sofrimento

Recebi ontem um novo paciente, D. que vivendo um problema relativamente comum e por isso mesmo bom de discutir aqui. D. tem 45 anos, é casado a alguns anos e tem uma filhinha de 9 anos, diz que sempre teve “casinhos” extra-conjugais, normalmente com mulheres comprometidas, casadas, noivas ou num relacionamento sério com alguém, mas, a 5 meses começou a se relacionar com uma moça de 25 anos, descomprometida, e aí as coisas se complicaram.

Ele acha que talvez por ter se queixado à nova amante que seu casamento estava “morno”, rotineiro, elaarmadilha se sentiu em condições de querer ficar com ele em definitivo e passou a investir todas as suas energias emocionais, sexuais e afetivas para conquista-lo e fazê-lo sair de seu casamento, e realmente conseguiu envolvê-lo, tanto que ele saiu de casa a 20 dias e foi para a casa dos pais. A essa altura a amante está exultante e faz mil planos.

Agora ele está se sentindo completamente perturbado, acha que gosta da esposa, mas não sabe se o suficiente para manter a relação, não consegue tirar a amante da cabeça pois ela mexe com emoções que  estavam adormecidas à muito tempo em seu coração, sabe que tem responsabilidades junto à família, mas não sabe se vai ser feliz vivendo apenas para cumpri-las, em resumo, sua vida emocional está um caos.

Em meio a tudo isso sua esposa ainda está fazendo um papel belíssimo, lhe diz que entende que realmente ambos não estavam cuidando bem do casamento, que caiu numa rotina de trabalho-casa-dormir, assume que tem parte da responsabilidade nesse fracasso, mas que não quer perdê-lo e tenta fazer com que ele veja que está cometendo um ato impensado pondo a perder vários anos de bem viver. Ele vendo isso reconhece que tem uma companheira maravilhosa, o que piora suas angústias, pois teme ser apenas um capricho para a nova amante, que conhece a tempos e diz que sempre foi uma menina rica e mimada que sempre teve tudo o que quis.

Aconselhei-lhe inicialmente a usar sua razão e sossegar um pouco suas emoções, dando espaço a que suas escolhas surjam da forma mais apropriada, indiquei que neste momento ele não deve entrar numa “lua-de-mel” com a nova amante, pois isso vai turbar ainda mais suas percepções e dificultar que ele veja o que sente com clareza e alertei-lhe dos riscos que está correndo. Espero que ele não se precipite e ponha sua família a perder, pois me pareceu que, longe de estar infeliz no casamento ou de não amar a esposa, o que estava passando era algo banal em qualquer relação duradoura, mas perfeitamente superável.

Ele ficou de voltar semana que vem para iniciarmos a terapia, detalhe, logo depois do aniversário da filha, estou torcendo por todos eles e vamos em frente.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS