sábado, 21 set 2019
Administração

A cura

imagesCA8GVUYZSegundo o dicionário Houaiss de língua portuguesa, cura seria o restabelecimento da saúde ou ainda, a correção de um defeito ou problema de comportamento, para nós médicos essa é uma demanda comum às pessoas que nos procuram, inclusive temos nossa imagem intimamente associada á saúde e à cura, é frequente eu ouvir comentários do tipo  “como é que médicos ficam doentes?” ou ter que fazer consultas nos lugares mais inusitados e muitas vezes inapropriados, mas entendo que as pessoas no afã de se aliviarem de suas dores e buscarem a cura vejam em mim, e em qualquer representante da classe médica, sua solução.

No caso dos problemas relacionados à saúde mental e espiritual não poderia ser diferente, só que nessas situações as respostas são outras. Se para o médico a busca da cura por via de diagnósticos precisos e os tratamentos por medicações podem apresentar resultados mais imediatos dando a solução a vários tipos de problemas, no caso das afecções fora do corpo físico a abordagem é outra e a cura pode vir de forma mais complexa.

Em qualquer linha psicoterápica, da psicanálise à terapia de vidas passadas, normalmente o que se busca é a diminuição ou desaparecimento do sofrimento ligado aos sintomas que ocorrem associados à sua patologia, síndrome ou doença específica, mas, diferente da medicina, a cura não é o critério pelo qual se avalia o resultado do tratamento. Já tive, por exemplo, vários pacientes que abandonaram o tratamento após suas melhoras, sem que tivessem alta, e que sei que melhoraram bastante ou tiveram um alívio expressivo de seu sofrimento, pois acompanhei sua evolução. Esses pacientes talvez não pudessem se designar curados, mas ficaram, no fim das contas, muito melhor que chegaram, ao ponto de poder viver melhor sem precisar de terapia.

O que me trouxe ao tema foi a chegada esta semana de um novo paciente, vou chama-ló R., tem 20 anos e veio diagnosticado como esquizofrênico, em tratamento medicamentoso e terapêutico desde os 15 anos. Para quem não conhece, a esquizofrenia é uma doença mental grave e de evolução complicada na área psiquiátrica, geralmente começa na adolescência e evolui para estados demenciais com surtos delirantes e alucinatórios nos quais os doentes podem se tornar agressivos podendo se tornar uma ameaça para eles próprios e para os outros se não for bem tratada.

Voltando a falar do caso, me tocou a ansiedade e vontade do jovem paciente em buscar a cura de sua doença, ele a quer para ontem, parece não suportar mais seu estado, e, como é um jovem inteligente, percebe e se angustia muito com as limitações que a doença lhe impõe, parou de estudar a 5 anos, não tem mais vida social nem amigos, nunca namorou e passa o dia a ouvir música e ficar na internet. Sob a ótica da psiquiatria e psicologia a esquizofrenia tem várias explicações que vão da origem genética à alterações bioquímicas do cérebro, além desses, fatores ambientais que influenciam desenvolvimento do sistema nervoso, podem implicar no aparecimento da doença, mas tem um que me é referido pelos próprios pacientes e normalmente ignorado pelas duas correntes psi, a origem espiritual da doença.

Para buscarmos a cura, em qualquer área da saúde, é necessário que entendamos as causas e interconexões do problema que está levando à dor e ao sofrimento, enfim, tirando a saúde do paciente, se esquecermos, ignorarmos ou excluirmos alguma possivelmente incorreremos em erro. É isso que vejo acontecer nos apoios psicoterápicos a patologias mentais graves que envolvem claramente uma alteração espiritual; os pacientes se sentem perdidos e desesperançados em falar ou dividir suas angústias com quem não entende e não acredita que origem de seus problemas pode não ser apenas mental, e quer apenas enche-lo de remédios, aí o apoio psicoterápico vai findar não dando o resultado devido.

A procura pela cura pode ser frustrante e terminar e desesperança se a pessoa que sofre se iludir achando que pode, de repente, alcançar o status daquele que considera “normal”. Os problemas que levam ao sofrimento podem ser, por exemplo cármicos, quer dizer estão profundamente arraigados em nosso corpo físico, mental ou emocional, tendo sido incutidos em nossos genes  ou marcados em nosso espírito por débitos de vidas pregressas como forma de expiação, ou estão aí como provas a serem superadas pelo espírito que delas necessita para evoluir. A saída nesse caso, inequivocamente, sempre vai ser a resignação, não uma resignação pela impotência de não se poder fazer nada a respeito, mas sim de pressentirmos e entendermos que aquelas limitações são consequências de nossos atos e inconsequências anteriores e, justamente por nos limitarem, possivelmente estão nos impedindo de errar do mesmo modo de novo. A partir dessa compreensão fica mais fácil enfrentarmos as limitações impostas pelas doenças e o sofrimento causado pelos seus sintomas, olhando mais à frente e vivendo a vida de forma mais plena.

A cura completa muitas vezes não vai ser alcançada, mas é perfeitamente possível aliarmos os modernos tratamentos medicamentosos  a uma terapia que dê acolhimento e apoio às necessidades emocionais e espirituais dos pacientes, ajudando-os a ter esperanças e entender melhor seus problemas e tratando-os da forma apropriada, melhorando sua qualidade de vida, permitindo com que eles tenham uma vida menos sofrida se preparando para as várias vidas que irão ter depois, e que irão ser cada vez melhores se o esforço nesta trouxer aprendizado e crescimento espiritual.

Necessariamente o caminho da cura, principalmente das afecções mentais, vai ter de passar pela educação do pensamento que, se sintonizado em faixas vibratórias mais altas, onde transitam ideias e emoções de nível elevado e saudável vai receber influências benéficas que irão auxiliar na solução dos problemas, e importante também que se isole o pensamento das influências nefastas de seres que ainda se encontram levando uma existência doente, desequilibrados emocional e mentalmente, em faixas inferiores de vibração. Em muitas doenças os sintomas expressam conteúdos de vidas pretéritas, sendo resultado de traumas, aprendizados e processos cármicos iniciados a muito tempo, quando eles vem à tona  de forma apropriada como na terapia de vida passada, vai se fazer um esvaziamento daquilo que se acumulou por muitas vidas de conteúdos antigos e represados, promovendo a reconstrução futura de uma personalidade saudável e a possibilidade de uma existência mais equilibrada e feliz, mesmo que ainda padeça por dores da alma endividada.

Se torna muito mais fácil empreender o caminho da cura quando se tem noção, ainda nesta vida, dos fatos , situações e padrões de comportamento disfuncionais que nos fizeram errar e sofrer ao longo de inúmeras vidas. Quando aquelas situações que nos levaram ao sofrimento e padecer hoje de nossas expiações, muitas vezes expressas como doenças, são relembradas e evitadas minoram-se também as consequências das patologias que nos afligem a alma. Muitas vezes, frente às mais diversas manifestações da dor humana, vejo pacientes se referirem a Deus como cura, alguns vejo buscarem na fé e em alguma religião suas melhoras e sei que isso é de grande influência em seu estado, pois de nada adianta tratar a mente se não se tratar o espírito doente, pois deste é que se originam a maioria dos estados patológicos. Incentivo e aconselho pacientes a buscarem, dentro de suas crenças, um caminho espiritual que mais seja agradável e lhes dê saúde, no final isso potencializa tremendamente o processo terapêutico.

Logicamente esse tratamento tem que ser aplicado após uma avaliação séria por um profissional capacitado, para que se evitem as armadilhas dos charlatões que prometem a cura de tudo, indiscriminadamente, apenas por fazerem regressões.

 

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS