quinta-feira, 05 dez 2019
Administração

Os papéis de cada dia


Todos os dias temos que viver vários papéis, seja na vida profissional, familiar, social, cultural, sexual, etc. Isso é normal e faz parte de nossa realidade psíquica nos ajudando a funcionar no mundo, não representa nenhum tipo de problema de personalidade ou coisa mais séria, mas existem situações em que a vivência destes papéis podem nos trazer problemas, principalmente quando associadas à alguma psicopatologia.

Quando, por exemplo, o papel que nós vivemos passa a ser algo completamente
distinto de nossa realidade psicológica ou deixa de ter a ver com nosso caráter e personalidade ou ainda quando esse papel é apenas interpretado para satisfação alheia, seja ela social, amorosa ou familiar, tudo isso  passa a representar um problema, e se estiver associado à uma personalidade manipuladora vai ser aquilo que as pessoas rotulam de “falsidade”. Isto tem relação com características de temperamento que não parecem ser problemas como o perfeccionismo, o orgulho e a vaidade.

Por orgulho e vaidade buscamos, muitas vezes, ser o que não somos ou parecer ter mais qualidades do que realmente temos, isso normalmente anda junto com uma necessidade muito grande de reconhecimento dos que nos cercam, papeis humanoscomo vamos depender deles para ser nossa referência de sucesso esta percepção distorcida nos faz perdermos nossa auto-estima, que fica dependente da aprovação alheia para se manter elevada. A desvinculação de nossa personalidade, arraigada em nosso self, o que somos mais intimamente,  daquilo que vivemos no relacionamento com as pessoas ao nosso redor, pode, com o tempo, se distanciar tanto do  que  somos de verdade que vai chegar um momento onde nos perderemos de nós mesmos. Ficaremos à deriva dentro do mar dos nossos sentimentos, recalques e complexos, aí só sobrará a depressão, o sofrimento e o desespero, nos tomaremos desconhecidos de nós mesmos.

Interpretar papéis não é algo que se faça de forma completamente consciente, representa, às vezes a única forma de sobreviver para alguns tipos de pessoa, o problema é que essas pessoas passam tanto tempo a interpretar que após um longo período elas se esquecem até de quem são, se tornam hipócritas e vazias. Isso denota um tipo de personalidade insegura e narcisista, que precisa muito da aprovação dos outros para se sentir segura e feliz; só que finda dando o efeito contrário. Quem vive um personagem em tempo integral em pouco tempo finda sendo reconhecido como tal e isso, além de não gerar empatia os distancia dos afetos verdadeiros, motivo de sua busca inicial.

Caso você se sinta assim um dia procure reavaliar sua situação real perante a vida e o que você deseja dela, caso seja apenas cultivar o reconhecimento e a admiração das pessoas, cuidado, você pode estar caindo numa armadilha na qual os principais sintomas são aqueles dos quais falei acima, neste caso pense no que você precisa de verdade para ser feliz, pode ser que isso lhe dê um norte a seguir, mais seguro do que apenas a opinião alheia que muda como as nuvens no céu.

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2 Comentários

  1. Tenho três filhos e sou casada há 13 anos com um homem da minha idade (31 anos). Sou infeliz no casamento. Meu esposo é devagar em todos os sentidos.

    Sexo pra ele é uma vez no mês e olhe lá. Sinto necessidade todos os dias, pois ele não comparece. Ele trabalha de noite e fico sempre só. Ele não se preocupa com nada. Tudo, sou eu que resolvo. Ele é muito agressivo com palavras quando cobro a atenção dele.

    Me ajude, por favor, me digam o que devo fazer. Já tentei conversar com ele, pois ele não quer me deixar ser feliz, fala que não sabe viver sem mim. O que o Sr. acha Doutorr?

    1. Bom dia Maria.
      Você não pode, nem deve, manter uma relação infeliz apenas porque o outro diz que “não sabe viver sem você”, o problema é saber se você sabe viver sem ele e tentar ser feliz de outra maneira. Logicamente todos os recursos para salvar a relação são válidos, desde que sejam tentados pelos dois, se você está nesta luta sozinha talvez seja porque o casamento só tenha valor para você.
      Ninguém escolhe ser infeliz, mas podemos escolher mudar de vida para deixar de sê-lo.
      A primeira a se ajudar tem que ser você.
      Abraços, Ney.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS