quarta-feira, 24 abr 2019
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A religiosidade sem religião

religiosidadeA religiosidade e crenças místicas ajudaram ao longo da história a humanidade ser o que é hoje, e na contemporaneidade a evolução dessas crenças nos fez chegar ao ponto de desvincular a própria religiosidade de religião. Até algum tempo atrás essas duas coisas eram indissociáveis e por isso a humanidade padeceu, e padece até hoje, de algumas mazelas causadas pela utilização e manipulação das religiões por fanáticos e/ou exploradores.

A questão da crença religiosa passa necessariamente por uma questão de relacionamento, um relacionamento inicialmente com Deus e depois com as pessoas envolvidas com os assuntos religiosos. Um dos grandes problemas que aparece nesses relacionamentos é quando algumas pessoas se arvoram como únicos permissionários da verdade, sendo somente sua religião de escolha aquela que teria o poder de levar os homens até Deus; as outras não, estas seriam meros engodos, ou pior, estariam a serviço de forças tenebrosas interessadas na derrocada da humanidade em geral e de cada um em especial.

É praticamente impossível, a se verificar  as religiões atuais, perceber alguma que não se encaixe nesse estereótipo e isso é uma pena, pois é natural imaginarmos as religiões como caminhos para Deus, ou pelo menos bons indicadores de postura e valores que nos ajudem a encontrar esse caminho.

Numa conversa informal nesta semana uma jovem me falou de como havia começado seu relacionamento com Deus, e, o que mais me impressionou na sua história foi que esse relacionamento começou de forma espontânea, sem intermediários e feliz, numa situação de tranquilidade e paz. O sentimento religioso está nela muito presente, apesar de não professar, nem frequentar nenhuma religião (apenas faz referência a alguma literatura que vê pela internet de uma religião que simpatiza), e isso também é interessante, pois sempre associamos sentimento religioso à algum lugar ou religião em especial.

Isso tudo me fez pensar no que os homens fizeram de seu relacionamento com seu criador, que poderia e deveria ser simples e direto, como o de um pai, ou mãe para com um filho, e finda sendo insatisfatório, frustrante e incompleto. Nas ocasiões em que parece ser feliz muitas vezes essa felicidade não passa de êxtase religioso provindo de um fanatismo inebriante, que põe os crentes à parte da realidade e os faz se tornarem vítimas de abusadores de todas as ordens. Vide os noticiários.deus e o homem

Como disse o teólogo suíço Karl Barth: “Tudo o que digo de Deus é um homem quem o diz”, mas sobre o que fere meu senso crítico posso opinar, e por isso questiono:

Será isso o tipo de relacionamento que Deus quer ter conosco? até onde os intermediários são indicados para nossa realização espiritual? qual a nossa responsabilidade para conseguirmos alcançar a paz e tranquilidade de espírito que muitos chamariam de felicidade e que sem Deus se mostra sempre incompleta?

Essas respostas não vão se encontrar em nenhum blog, livro, cânone religioso ou pregação de líderes carismáticos cheios de boas palavras e vazios de fé, porque elas estão no imo de todos nós, inacessíveis ao mundo exterior, ligadas diretamente à Deus e tudo o que foi criado, permissíveis apenas a uma forma de acesso que é o amor, e, para se chegar lá a melhor atitude é permanecer aberto ao Pai, de sentimento, pensamentos e vontade; não existe nada mais terapêutico do que isto. E as religiões, quando cumprem bem seu papel, podem ajudar muito nesse processo, levando conhecimento à quem está na ignorância, acolhimento à quem se encontra perdido e exemplo de fé a quem perdeu a sua.

Esse talvez seja o papel delas, algo que vem se perdendo em confusões de valores, ambições políticas e econômicas inconfessáveis ou puro fanatismo, que a tudo obscurece. Sejamos críticos, conscientes e amáveis com todos aqueles que ainda não conseguem se relacionar diretamente com Deus, agradecendo o que as religiões fizeram de bom até aqui, perdoando as suas falhas, pois que foram feitas pelos homens, mas sabendo que Deus está muito além de todas elas.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS