quarta-feira, 24 abr 2019
Administração

Encontrando Deus num curso de gastronomia

Terminei hoje um curso rápido de gastronomia, uma de minhas paixões, e lá, aonde menos esperava, tive uma experiência que me mostrou que podemos encontrar Deus nos lugares mais inusitados. Isso não que dizer que ele estava lá virando a comida nas panelas, ou coisa parecida, mas sim que existe sempre alguém ou algum modo de nos relacionarmos com o divino e aprender dele lições valiosas em qualquer lugar.

Vou lhes contar o que aconteceu: Desde o início do curso uma aluna se destacou, de forma negativa, parecia intrometida, prepotente, interrompia a todo momento a professora com comentários pessoais desnecessários, enfim, uma pessoa que levava os outros, inclusive a mim, à irritação constante. Todos ficaram a esperar, depois de um tempo, por seus comentários inapropriados, para de alguma forma ridiculariza-la ou critica-la perante os outros colegas, e creio que isto era percebido por ela, até porque as críticas eram ditas em voz alta.

Bem, no segundo e último dia do curso, estávamos todos numa cozinha preparados para a aula prática quando, não podia deixar de ser, ela começou com suas interrupções incômodas, imediatamente seguiram-se os comentários desagradáveis e risinhos das colegas, esperei o momento apropriado e aproveitando um momento em que ela se aproximou de mim, puxei uma conversa lhe perguntando se ela era muito ansiosa, ela imediatamente respondeu afirmativamente, deixando claro que isso era um problema incômodo, aproveitando a deixa continuei o assunto dizendo que, possivelmente, essa ansiedade iria lhe trazer grandes problemas de ordem social, familiar, etc. Ao ouvir isto ela assentiu e me disse que fazia tratamento psiquiátrico e tomava remédios controlados já a algum tempo e contou-me mais um pouco de seus problemas enquanto realizávamos nossa aula prática.

Em determinado momento de nossa conversa disse-lhe que uma coisa que iria lhe ajudar muito a controlar sua ansiedade seria buscar cultivar sua espiritualidade de preferência frequentando algum lugar religioso com o qual se identificasse. Lhe perguntei o que achava da idéia.

mãos no céuO que ela me falou a seguir foi muito interessante. Após me dizer que não frequentava, nem cultivava sua espiritualidade em nenhum lugar especial relatou um episódio em especial que lhe aconteceu naquele sentido. Confessou que até pouco tempo atrás era ateia, não acreditando em Deus ou qualquer religião, sua vida foi assim e estava num momento bom, sem nenhuma crise ou fato que lhe pudesse transtornar o dia a dia quando teve, segundo suas palavras, uma epifania ( que é um tipo de iluminação divina ou mística), e durante esse acontecimento sentiu que mesmo não crendo ou aceitando Deus em sua vida ele nunca saiu de perto dela ou a abandonou; me emocionei ouvindo isso, quem poderia imaginar que aquela menina que parecia tão chata e inconveniente no início do curso pudesse partilhar uma experiência tão bela? Ao final de seu relato disse-me que era muito difícil às pessoas entenderem sua forma de se relacionar com Deus, por isso agia daquela forma.

Fiquei ali, entre as panelas, meditando em como Deus pode se fazer presente de forma inconteste e pessoal na vida das pessoas, ajudando-as mesmo quando não clamam por sua ajuda e, mais importante, crendo em nós mesmo quando descremos dele. Isso é algo intransferível, difícil até de por em palavras, é uma questão de sensibilidade e fé inerentes a cada pessoa e não tem necessariamente a ver com religião.

O curso terminou, minha nova amiga se foi sem que tivéssemos mais precisado nos aprofundar no assunto ou ao menos trocarmos contatos, até porque sua proximidade com Deus vai ser a melhor companhia que ela pode ter. Espero que ela se cuide e se trate de sua ansiedade patológica para ter uma vida mais tranquila e seja feliz, com Deus no coração.

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1 Comentário

  1. Parabens! Chefe, vc e Abensoado, y eu mi sinto muito grato d trabalharmos juntos.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS