quinta-feira, 20 jun 2019
Administração

Porque regressão não é imaginação

Ao fazer a regressão de uma paciente na semana que passou tive, mais uma vez, a comprovação de como as regressões podem ser assertivas do ponto de vista histórico e demonstrar coisas que seriam impossíveis de serem relembradas de outra forma. Esta paciente, D. C, está no início de seu tratamento e essa foi sua segunda regressão, nas suas queixas iniciais uma coisa me passou despercebida, mas a anotei e logo vocês verão que terá sentido na história que ela contou.

Dentre vários problemas ligados ao seu temperamento ele citou, incidentalmente, um temor forte e infundado de sangue e tesouras, coisa que procurava nem ver nesta vida tal repulsa lhe causam. Pois bem, logo que iniciamos a regressão ela viu um centro cirúrgico, lá no começo do século 20, aonde um homem por volta dos 40 anos estava sendo operado por uma equipe de médicos, destes um cirurgião com um instrumento na mão se destacava (ela não lembrou que instrumento era). A cirurgia era na área do estômago e havia muito sangue na área operada; findou não terminando bem e o paciente morreu; adivinhe agora quem era o paciente? Claro que era a personagem de minha paciente; aí podemos entender o seu medo intenso de sangue e tesouras hoje, depois daquilo fizemos uma viagem exploratória por aquela vida para entendermos que tipo de lições poderíamos aprender por lá.

Terminamos a sessão normalmente e aguardei seu retorno para dali a duas semanas. Quando ele chegou e retomamos os esclarecimentos sobre a regressão ela me contou uma novidade. Naquele período tinha ido assistir um filme espírita chamado “Nosso Lar” aonde logo nas cenas iniciais aparece um centro cirúrgico do início do século 20 que, para sua surpresa, era muitíssimo parecido ao que ela lembrou em sua regressão. Interessante é que ela nunca entrou nessa vida em nenhum centro cirúrgico, mas soube descrever muito bem na regressão como seria um. Com detalhes sobre a montagem do campo cirúrgico e até a intensidade da luz do foco cirúrgico ( aquele conjunto de luzes que ficam sobre o paciente) e ainda mais que o centro cirúrgico é de uma época antiga, o que tornaria mais difícil o reconhecer ou criar algo do tipo.

Ao comentar o assunto a paciente disse que foi ótimo ter assistido ao filme depois da regressão, pois se fosse o contrário iria achar que tinha imaginado tudo a partir das cenas do filme que vira. Assim ela mesmo se convenceu da veracidade de suas memórias trazidas à tona pelo processo regressivo.

É comum o próprio paciente, por diversos motivos, achar que o que lembrou durante a regressão é fruto de sua imaginação, ou mesmo uma criação induzida pelo terapeuta, quando isto acontece comigo primeiro procuro esclarecer que não dá para imaginar dores e sentimentos tão realistas como vemos e sentimos enquanto estamos regredidos, outra é que o terapeuta não induz a nada, pelo menos essa é a postura correta, o que se faz é se interrogar o paciente sobre a vida que ele está lembrando, o que é normal e faz parte do processo para que se acompanhe o desenrolar da história.

Esse exemplo, como outros semelhantes, demonstram o que é claro, ninguém pode imaginar ou criar algo a partir do nada, é necessário que exista uma experiência prévia registrada por nossos sentidos para que a partir daí possamos elaborar mentalmente qualquer coisa. Isso é muito verdade principalmente em relação àquilo que se passou em épocas das quais atualmente não temos recordação e de que chamamos comumente de passado, estes se encontram em um nível profundo de nosso inconsciente, mas podem ser acessados no intuito de nos auxiliar a resolver nosso problemas hoje. Este tipo de coisa é o que sempre me fez crer na veracidade das regressões, por mais que tentemos imaginar alguma emoção é muito difícil senti-la de verdade, a não ser que relembremos uma situação em que a tenhamos vivido anteriormente, e foi o que aconteceu enquanto D.C relembrava os fatos de sua vida anterior. Assim, por mais que  algumas estórias que meus pacientes me contam soem absurdas, eu me vejo obrigado a aceitar que pelo menos para eles elas são profundamente verdadeiras.

FILME NOSSO LAR
Related Posts with Thumbnails

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS