terça-feira, 17 set 2019
Administração

O equívoco sobre as emoções na Revista Veja

emoçõesNa Revista Veja desta semana, a número 39, ano 43, de 29 de Setembro de 2010, vem destacado um artigo que me deixou preocupado, neste se tratam das últimas descobertas das neurociências a respeito das emoções humanas e suas causas. Minhas preocupações tem duas origens, a primeira pela revista ter abordado o assunto apenas sob uma ótica, a neurológica, meramente materialista, onde todas as teorias se embasam no funcionamento dos neurônios, deixando de lado toda a bagagem cultural e filosófica que temos a respeito da mente humana e a complexidade de nosso espírito.

Minha segunda preocupação diz respeito à própria matéria da revista, sob a ótica de leitor que sou. Intencionalmente ou não, o repórter que escreveu a matéria fez interpretações simplistas e muito pobres a respeito de uma obra de um autor muito respeitável da neurobiologia, o Dr. Damásio. Me parece ocorreram alguns equívocos, que enumero mais à frente, na matéria ou talvez se citou a obra como que para dar credibilidade aos argumentos do repórter, chego inclusive a duvidar que o jornalista que citou  a obra do referido autor a tenha lido na íntegra, pois esta abusa de termos técnicos de base neurológica, tornando sua leitura difícil e cansativa, mesmo para pessoas que como eu, que sou médico, e tenho imenso interesse na área pois trabalho nas instâncias da mente como terapeuta.

Devo ressaltar que sou fã da revista, que leio semanalmente, e acho sua contribuição à história política a social do Brasil inigualável, mas isso não me impede de discutir assuntos nos quais vejo ocorrerem erros que vão influenciar milhares de pessoas a respeito de coisas tão sérias como política e bem estar social.

Voltando a falar sobre a matéria, uma coisa que faltou deixar claro no dito artigo é que todas as opiniões do Dr. Damásio e demais cientistas, citados ou não, são apenas HIPÓTESES, ou, na melhor das condições, TEORIAS,  sobre as quais ainda não foi possível fazer qualquer tipo de comprovação; conforme diz o próprio Dr. Damásio no citado livro; outro equívoco que noto é quando se diz na matéria que o homem é o único ser a ter as chamadas emoções secundárias, como o compaixão, o ciúme e a culpa. Essas afirmações ferem o senso comum e me parece que as pessoas que postulam tal fato nunca tiveram um animal de estimação ou pelo menos assistiram ao Discovery Channel, onde  demonstrações desse tipo de emoções são comuns no reino animal.

Infelizmente, o que acho que aconteceu, no livro e na matéria, foi o seguinte: para alguém notar esse tipo de sentimento, o amor ou a compaixão, é necessário um grau de empatia e sensibilidade que parece pouco desenvolvido nas pessoas que dão preferência ao uso da razão em suas vidas, se esquecendo que o que mais nos enriquece e diferencia como seres humanos é justamente nossa complexidade emocional e espiritual; essas pessoas vão se tornando cada vez mais céticas em relação à existência e outras formas de pensar a realidade que não a meramente física.

Talvez seja isso que levou à pobreza exploratória do artigo, enquanto sentimentos como o ciúme, a desconfiança, a inveja e o medo, tem várias linhas discursivas sobre suas causas neurológicas, o amor, que é o mais nobre dos sentimentos, tem o menor número de linhas escritas, apenas 24, junto com outra emoção não menos nobre, a compaixão, sua companheira no mesmo número de linhas. O amor, possivelmente por pura falta de sensibilidade do escritor do artigo é relegado a um sentimento de segunda linha, descrito apenas uma questão de bioquímica cerebral, via oxitocina, fazendo parte de um mecanismo neuronal  automático de recompensa cerebral, com data de validade previamente marcada. Santa ignorância.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS